Influenciador Eduardo Razuk é solto após duas semanas na prisão
Ele e o irmão foram alvos da Operação Rodas da Sorte
Após duas semanas na prisão, os irmãos Eduardo e Rafael Razuk foram soltos. Influenciadores digitais, eles foram presos no dia 18 de agosto, alvos da Operação Rodas da Sorte que investiga suposto esquema de rifas ilegais na internet que movimentou carros de luxo avaliados entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, além de celulares e Pix.

Os dois e outras seis pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil no último fim de semana. Eduardo, que acumula milhões de seguidores nas redes sociais, é apontado como líder do grupo.
A soltura, que atende aos pedidos das defesas, foi concedida pela juíza May Melke Amaral, que substituiu o cárcere por medidas cautelares.
A defesa de Rafael Razuk sustentou que a manutenção da prisão preventiva não era mais necessária, uma vez que todas as medidas cautelares de caráter patrimonial, probatório e telemático já haviam sido integralmente cumpridas.
Entre elas, buscas e apreensões, bloqueios de contas e ativos financeiros, sequestro de bens e a suspensão de perfis nas redes sociais utilizados na atividade investigada.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), se manifestou de forma contrária à soltura. A promotoria defendeu que os requisitos da prisão preventiva permaneciam presentes, sustentando que a liberdade do investigado representaria um risco de reiteração de condutas ilícitas por meios digitais, reorganização das atividades financeiras e potencial interferência nas investigações telemáticas pendente.
Mas, ao analisar o pedido, a magistrada pontuou que a prisão de natureza preventiva é uma medida excepcional e concluiu que houve uma relevante modificação do cenário inicial, já que foram cumpridas as buscas, apreensões de dispositivos e bloqueios patrimoniais, reduziu-se substancialmente o risco de que o investigado possa comprometer ou suprimir elementos de prova.
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“Com a conclusão do inquérito e a realização das diligências consideradas necessárias pela autoridade policial, o risco de interferência do investigado sobre a colheita da prova se mostra sensivelmente reduzido, muito embora tenha o Ministério Público afirmado que perícias ou análises técnicas ainda poderiam estar em andamento, o que por si só não demonstra risco concreto de que o requerente […] possua meios efetivos de alterar ou suprimir elementos já regularmente apreendidos”.

Sobre o risco de retomada das atividades por novos canais ou perfis na internet, a juíza definiu o argumento da acusação como “predominantemente prospectivo e hipotético”.
Agora, os irmãos devem cumprir as seguintes medidas cautelares:
- Comparecimento mensal em Juízo para informar e justificar suas atividades cotidianas;
- Proibição de ausentar-se do território nacional, devendo proceder à entrega de seu passaporte em Juízo no prazo de 48 horas após o cumprimento do alvará de soltura;
- Manutenção das demais restrições decorrentes da ação cautelar em curso (incluindo os bloqueios financeiros e a suspensão das redes sociais) .
O descumprimento injustificado pode acarretar novas sanções ou até mesmo a decretação de uma nova prisão preventiva.
O caso
Segundo a investigação, Razuk realizava sorteios sem autorização legal desde 2019, o total passa de 100. No entanto, em 2025, o grupo mudou a estratégia para tentar fugir da fiscalização: contrataram uma empresa da Paraíba para figurar no papel de organizadora oficial dos sorteios, enquanto o influenciador passou a ser apresentado como um mero divulgador.
A polícia classificou a manobra como uma farsa e afirma que a empresa paraibana funcionava como fachada para burlar a lei, esquivar a fiscalização e passar uma falsa credibilidade aos seguidores que compravam os bilhetes.
A investigação apontou ainda a participação de um empresário do Rio de Janeiro que oferecia essas empresas de fachada para influenciadores pelo país, alguns deles alvos de operações por lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e facções criminosas.
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