Itália autoriza extradição de Carla Zambelli, mas decisão final ainda depende do governo
Ex-deputada foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do CNJ e está presa na Europa desde 2024.
A Justiça da Itália autorizou, nesta quinta-feira (26), a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. A decisão foi tomada pela Corte de Apelação italiana, que analisou o pedido enviado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar do aval judicial, o processo ainda não foi concluído. A defesa pode recorrer, e a palavra final caberá ao governo italiano. Não há prazo definido para essa decisão.

Zambelli foi condenada pelo STF a 10 anos de prisão em regime inicial fechado por envolvimento na invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Como deixou o Brasil após a condenação, ela passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira.
O pedido de extradição foi formalizado pelo STF e assinado pelo relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes. O documento foi encaminhado às autoridades italianas por meio do governo brasileiro.
A ex-parlamentar deixou o país em maio do ano passado, dias após a decisão definitiva do Supremo, atravessando a fronteira com a Argentina. Antes de chegar à Itália, passou pelos Estados Unidos, onde afirmou, nas redes sociais, ser alvo de perseguição e disse que provaria inocência.
Incluída na lista vermelha da Interpol, Zambelli foi presa em julho de 2024 por autoridades italianas. Desde então, permanece detida por decisão da Justiça local, que apontou risco de fuga.
Durante o processo, a defesa pediu que ela fosse julgada na Europa, alegando ausência de envolvimento no ataque aos sistemas do CNJ. Ainda assim, a Justiça italiana manteve a prisão enquanto analisava o pedido de extradição.

O andamento do caso sofreu sucessivos atrasos nos últimos meses, com pelo menos quatro adiamentos de audiências. Entre os motivos estiveram uma greve de advogados em Roma e a apresentação de novos documentos pela defesa.
A condenação de Zambelli foi confirmada após o trânsito em julgado — quando não há mais possibilidade de recursos. Na mesma decisão, o STF também condenou o hacker Walter Delgatti a oito anos e três meses de prisão, também em regime fechado.
Além da pena, Zambelli perdeu o mandato parlamentar. O STF determinou a cassação, e, posteriormente, a então deputada formalizou a renúncia ao cargo.
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