Juiz nega fechamento de Rodoviária do Coxipó por não ver risco aos passageiros

Como medida, o juiz Bruno D'Oliveira Marques marcou uma audiência de conciliação para o dia 18 de novembro com o Ministério Público, Ager, Sinfra e a concessionária que administra a Rodoviária de Cuiabá.

O juiz Bruno D’Oliveira Marques decidiu, nesta terça-feira (29), não determinar o fechamento da conhecida Rodoviária do Coxipó, por não identificar risco iminente aos passageiros que embarcam e desembarcam no local. O pedido de suspensão das atividades foi apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) no mês passado.

Rodoviária do Coxipó. - Foto: Reprodução
Juiz de Cuiabá negou nesta terça-feira (29) fechar a Rodoviária do Coxipó. – Foto: Reprodução/Google Maps

Antes da decisão, o magistrado pediu explicações à Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra) e à Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager) sobre o funcionamento do terminal e decidiu manter o funcionamento, que atende cerca de 180 mil passageiros por mês, segundo a Associação dos Usuários de Transporte Público Coletivo de Mato Grosso (Assut-MT).

No documento, o juiz destacou que “a ausência da urgência” da suspensão das atividades, conforme solicitado pelo Ministério Público, não significa que a rodoviária está em bom funcionamento para atender os passageiros. Ele também disse que a medida atual não impede que, caso comprovado risco, a suspensão possa ocorrer futuramente.

“Trata-se apenas de reconhecer que, à vista do quadro atualmente apresentado, não se encontra evidenciada situação de perigo contemporâneo suficientemente intensa para justificar a providência satisfativa e de grande repercussão requerida em caráter liminar”, diz trecho da decisão.

Como medida, o juiz designou uma audiência de conciliação para o dia 18 de novembro, que deve contar com a participação da Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso (Ager), Ministério Público e a Sociedade Nacional de Apoio Rodoviário e Turístico (Sinart), concessionária que administra a Rodoviária de Cuiabá.

RODOVIARIA DO COXIPO FOTO TVCA
Rodoviária do Coxipó segue pode seguir funcionado após decisão da Justiça. – Foto: Reprodução/TV Centro América

O que as partes manifestaram ao pedido de explicação?

A Secretaria de Infraestrutura disse que “não possui qualquer vínculo ou responsabilidade legal pela manutenção, reforma ou conservação”, nem mesmo “expede autorizações para utilização de pontos de parada e locais de venda de passagens”. A pasta afirmou que a responsabilidade é da Ager.

Já a Ager se posicionou contra o fechamento da rodoviária, mas destacou que “por se tratar de imóvel privado que não integra a concessão das rodoviárias estaduais, não cabe à Agência determinar intervenções estruturais ou melhorias de acomodação no local”.

O pedido à Justiça

Segundo o Ministério Público, a Rodoviária do Coxipó funciona há 12 anos sem autorização administrativa vigente para embarque, desembarque e comercialização de passagens e ainda apresenta irregularidades estruturais que não foram totalmente corrigidas.

Segundo a ação, a última autorização localizada durante a investigação tinha validade até 20 de fevereiro de 2014. Para o MP, portanto, o ponto permanece em funcionamento há mais de 12 anos sem uma autorização vigente da agência estadual.

Rodoviaria de Coxipo foto reproducao google mpas
Rodoviária do Coxipó atende cerca de 180 mil passageiros por mês. – Foto: Reprodução/Google Maps

A situação foi alvo de diferentes informações ao longo da investigação. Inicialmente, a Ager informou que haviam sido expedidas autorizações em favor da RM Transportes e Turismo nos anos de 2007, 2010, 2014 e 2015.

A agência sustentava que, depois da última autorização, deixou de emitir novos documentos ou renovações porque entendia que as autorizações já concedidas continuariam válidas até eventual revogação.

Mais tarde, porém, a própria Ager encaminhou ao Ministério Público uma autorização com validade até fevereiro de 2014 e afirmou que aquele era o último documento expedido para o local. O MP destacou na ação a divergência entre as informações apresentadas pelo órgão.

A Sinfra também informou, no decorrer da apuração, que não havia autorização oficial e formal, no âmbito do transporte intermunicipal, para embarque, desembarque e comercialização de passagens na Rodoviária do Coxipó.

Segundo a secretaria, a utilização do endereço se consolidou ao longo dos anos sem que houvesse formalização ou autorização específica do poder público.

Leia mais

  1. Após Justiça cobrar explicações, Ager e Sinfra negam responsabilidade pela manutenção da Rodoviária do Coxipó

  2. Sem autorização há 12 anos, Rodoviária do Coxipó pode ser fechada em Cuiabá

  3. Homem morre atropelado por caminhão de cimento em avenida de Cuiabá

FALE COM O PRIMEIRA PÁGINA

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.