Juiz ouve testemunhas de acusação em ação contra Bernal por assassinato de servidor
Ex-prefeito será ouvido pela primeira vez na quarta-feira (27)
O juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, ouve nesta terça-feira (26) as testemunhas de acusação no processo em que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, é réu pela morte do servidor público Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.

Nos casos de policiais e testemunhas que residem fora da capital sul-mato-grossense, o magistrado autorizou a participação por videoconferência. Bernal acompanha a audiência à distância, de uma sala da OAB instalada no presídio militar.
Presente na audiência de instrução, o advogado de defesa, Ricardo Machado, afirmou esperar que os depoimentos prestados em juízo tragam esclarecimentos sobre a dinâmica dos disparos.
“Hoje nós queremos esclarecer a questão do disparo. Primeiro ponto: o disparo não foi pelas costas. Isso já é conclusivo. Está demonstrado que um disparo ocorreu em uma região e o outro em outra. Sobre o intervalo entre os tiros, há testemunha que relatou ter ouvido apenas um disparo, enquanto outras afirmaram ter ouvido dois. O que precisamos aguardar é o que elas vão dizer hoje, diante do juiz, sob o contraditório. Até o momento, temos apenas os depoimentos prestados na fase de investigação”, declarou.
O primeiro depoimento judicial de Bernal está marcado para quarta-feira (27). Na mesma data, também serão ouvidas as testemunhas indicadas pela defesa.
A audiência ocorrerá presencialmente na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.
Questionado sobre a estratégia da defesa, Ricardo Machado afirmou que a tese de legítima defesa será sustentada durante a instrução processual.
“Tudo aquilo que vamos utilizar para comprovar a nossa argumentação defensiva já está dentro do processo”, disse.
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Juiz mantém acusações
Em decisão publicada anteriormente, o juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida rejeitou pedidos da defesa para afastar parte das acusações contra Bernal.
Os advogados alegaram ausência de provas para sustentar a acusação de violação de domicílio na residência localizada na Rua Antônio Maria Coelho, onde ocorreu o crime. O magistrado, porém, manteve a imputação.
Segundo a decisão, o imóvel pertencia à vítima e à Caixa Econômica Federal, e não mais ao ex-prefeito, que teria perdido a propriedade após inadimplência no financiamento.
A defesa também tentou excluir a acusação de porte ilegal de arma de fogo. No entanto, o juiz entendeu que as condutas relacionadas ao recebimento e ao porte da arma sem registro válido são independentes e devem ser analisadas no curso da ação penal.
O caso Bernal
O crime ocorreu em uma mansão localizada na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, em Campo Grande. O imóvel havia pertencido a Bernal, mas foi levado a leilão e posteriormente adquirido por Roberto Carlos Mazzini.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, no dia 24 de março, Mazzini e um chaveiro estavam no local quando foram surpreendidos por Bernal. O ex-prefeito teria efetuado dois disparos contra o servidor público e deixado o imóvel sem prestar socorro.
Horas depois, ele se apresentou às autoridades. Desde então, Bernal permanece preso preventivamente e responde pelos crimes de homicídio qualificado, violação de domicílio e porte ilegal de arma de fogo.
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