Juíza afastada em MT acumula 2 mil processos parados e tentava burlar CNJ
Relatório da Corregedoria do TJMT aponta que a magistrada deixava processos paralisados por anos, simulava movimentações no sistema e passava longos períodos fora da comarca sem autorização
A juíza Tatiana dos Santos Batista foi afastada do cargo pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso nesta quinta-feira (26) após ser investigada por falhas graves na condução da Comarca de Vila Bela da Santíssima Trindade. O Primeira Página teve acesso ao relatório assinado pelo corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote, em março deste ano, que apontou abandono da unidade, processos paralisados por mais de mil dias e tentativas de mascarar a baixa produtividade por meio de “despachos balão”.

“Despacho balão” é o nome dado a decisões genéricas lançadas apenas para simular movimentação do processo, sem promover avanço real ou análise efetiva do caso.
Segundo o documento, a magistrada deixava de encaminhar processos aptos ao gabinete e utilizava despachos genéricos que não promoviam avanço real nos casos. A prática tinha como objetivo simular movimentações no sistema e evitar cobranças por inércia. Diversos processos estavam parados há anos no sistema SEEU, e parte deles ainda aguardava agendamento de audiência.

A correição também identificou que Tatiana não cumpria a obrigatoriedade de realizar audiências de custódia de forma presencial e passou longos períodos fora da comarca – e até fora de Mato Grosso – sem autorização do Tribunal de Justiça. Por isso, a Corregedoria determinou a análise das imagens de câmeras do fórum e do gabinete da juíza para apurar possível abandono do cargo.
Entre janeiro e março de 2025, foram realizadas apenas 41 audiências na unidade, apesar do acervo superar dois mil processos. No mesmo período, 48 audiências foram canceladas, redesignadas ou simplesmente não aconteceram.
O relatório destaca ainda o descumprimento de metas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), falhas na alimentação de sistemas como o SEEU e o PJe, omissões em atos de comunicação e ausência de controle sobre réus presos. A conduta da magistrada motivou a instauração de sindicância e levou ao afastamento cautelar. O retorno dela ou não será analisado no Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
A decisão foi tomada pelo Órgão Especial do TJMT, que também autorizou a abertura do PAD. Tatiana, que estava em estágio probatório, foi afastada da carreira da magistratura e terá sua situação reavaliada durante o andamento do PAD.

Além de Tatiana, o Tribunal de Justiça também determinou o afastamento cautelar do juiz Renato José de Almeida Costa Filho, da Comarca de Chapada dos Guimarães, por 140 dias, até a conclusão do Procedimento Administrativo (PAD).
Ele é investigado por condutas funcionais consideradas irregulares. Ambos os afastamentos foram aprovados durante a mesma sessão do Órgão Especial, que analisou os pedidos formulados pela Corregedoria-Geral da Justiça.
Em nota, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso confirmou o afastamento de dois magistrados e informou que os procedimentos foram instaurados por supostos indícios de descumprimento de deveres funcionais. A Corte reforçou que os nomes e detalhes dos casos tramitam sob sigilo, conforme determina a legislação, e que o devido processo legal está sendo seguido.
“O Poder Judiciário de Mato Grosso repudia as especulações e a divulgação de informações não confirmadas. A publicação de conteúdos sem a devida apuração causa desinformação e compromete a credibilidade institucional”, diz trecho do comunicado.
O Primeira Página tenta contato com a magistrada afastada.
Leia mais
Mais lidas - 1 Professora agredida por aluno recebe indenização de R$ 20 mil
- 2 Jovem que matou avô e neto a tiros nas moreninhas vai a júri popular
- 3 Cuiabá e Dom Aquino entram na lista de emendas PIX enviada para investigação da PF
- 4 Com 33 dias de folga, TJMS divulga calendário de recesso e feriados de 2026
- 5 Em seis anos, filho de desembargador aumentou patrimônio em 174 vezes
- 1 Professora agredida por aluno recebe indenização de R$ 20 mil
- 2 Jovem que matou avô e neto a tiros nas moreninhas vai a júri popular
- 3 Cuiabá e Dom Aquino entram na lista de emendas PIX enviada para investigação da PF
- 4 Com 33 dias de folga, TJMS divulga calendário de recesso e feriados de 2026
- 5 Em seis anos, filho de desembargador aumentou patrimônio em 174 vezes






Comentários (73)
Estudou pra nada, vai perder seu emprego ainda mais em estagio probatório. Tem gente otaria nesse mundo
Mais um exemplo de que a pauta identitária é uma falácia! Uma mulher e negra agindo dessa forma desidiosa em cargo de extrema relevância é um absurdo! Também precisa acabar a tal aposentadoria compulsória que transforma em benesse o que deveria ser punição. Esses exemplos acima tem que ter punição severa onde esses indivíduos percam salário e qualquer benefício de servidor público.
ESSAS SAO AS PESSOAS QUE CONFIAM NA ” IMUNIDADE E IMPUNIDADE”!!!!!!
E O PIOR, É QUE SÃO PAGAS COM NOSSOS IMPOSTOS!!!!!!
SÓ FALTA APARECER COM UM LAUDO DE INSANIDADE MENTAL!!!!!
Eita MT que não tem jeito
As pessoas inteligentes e que conseguiram alçar degraus sociais, podem fazer qualquer coisa, mas, isto não quer dizer que farão esmerosamente. Aristóteles escreveu que uma criança de quatro anos poderia fazer muitas coisas, menos ser um filósofo e um juiz, pais depende muito da vivência. Pra ser um grande profissional em qualquer área, se depende de determinados predicados quem todos tem.