Júri do século caminha para o sim ou não de 7 jurados após mais de 30h de audiências

Estão no banco dos réus Jamil Name Filho, Marcelo Rios e Vladenilson Olmedo, acusados por encomenda que acabou na morte de Matheus Coutinho Xavier

Caminha para sair na noite desta quarta-feira (19) a decisão do júri popular sobre a acusação contra três réus pela morte de Matheus Coutinho Xavier, estudante de Direito de 20 anos que foi vítima de emboscada preparada para o pai dele, o capitão reformado Paulo Roberto Teixeira Xavier, no dia 9 de abril de 2019.

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Jamil Name, à direita na foto, Vladenilson Olmedo, ao centro, e Marcelo Rios, na outra ponta. (Foto: Gustavo Arakaki)

O destino dos acusados no primeiro júri da operação Omertà, chamado pela promotoria do “júri do século”, está nas mãos de cinco homens e duas mulheres.

O conselho de sentença

Esse time de jurados é formado por voluntários, que se cadastram junto à justiça. Vinte e cinco são previamente selecionados. Na abertura do julgamento, são sorteados sete participantes.

As defesas e acusação podem vetar nomes, e nem precisa justificar. O limite é de três recusas.

Na hora da decisão, depois de todos os depoimentos e da apresentação das teses de defesa e acusação, o presidente do júri elabora uma espécie de questionário.

São perguntas com respostas diretas: sim ou não, sobre a culpa dos réus.

Com o plenário esvaziado do público, ficam os advogados, os promotores, o juiz e os jurados. É feita uma votação secreta, com duas urnas, uma vermelha e uma verde. A vermelha recebe o voto que vale. A verde, o descarte..

Na sequência o juiz faz a contagem dos votos. Quando chega a quatro para o sim ou o não, a conta é interrompida, pois já existe um resultado definido.

Essa votação é feita por quesito.

O magistrado faz a apuração dos votos. A partir daí, cabe a ele aplicar o que foi decidido. Se houver condenação, define a pena a ser cumprida, com base nas previsões legais. Se os réus forem inocentados, é declarada a absolvição.

Não há possibilidade de um dos réus pela morte de Matheus Coutinho Xavier sair livre mesmo se o resultado for de absolvição, pois todos têm condenações na operação Omertà.

Os acusados

São réus Jamil Name filho, de 46 anos, representante de família influente em Campo grande por muitas décadas, e dois ex-agentes de segurança pública prestadores de serviço para a família Name: o ex-guarda civil metropolitano Marcelo Rios, 46 anos, e Vladenilson Daniel Olmedo, de 63 anos.

Já são mais de 30 horas de júri, desde o começo, na segunda, com o depoimento das testemunhas de acusação, até os debates, nesta quarta-feira.

Teses opostas

Em síntese, a acusação tenta convencer os sete jurados de que Matheus foi vítima de uma emboscada preparada pela milícia armada chefiada pela família Name, como forma de vingança a uma traição nos negócios envolvendo a compra de duas fazendas.

Paulo Roberto Teixeira Xavier, o “PX”, pai de Matheus, segundo a acusação, virou desafeto da família, para quem fazia segurança paralelamente ao serviço na GCM (Guarda Civil Metropolitana), quando mudou de lado na transação, passando a atuar pelos interesses do advogado de São Paulo, Antônio Augusto de Souza coelho.

As defesas, de sua parte, tentaram o tempo todo evidenciar furos na investigação, como forma de demonstrar ao júri a inexistência de provas contra os clientes. Segundo a versão defensiva, sequer foi provada a existência de motivo para a família Name ter desavença com Paulo Roberto Xavier.

Os defensores também tentaram desconstruir a ligação da família Name, e dos funcionários no banco dos réus, com o arsenal apreendido em uma casa no nome da família, em maio de 2019, pelo qual já houve condenação dos três acusados.

Confira tudo que foi dito pelos promotores e advogados na transmissão ao vivo feito pelo Primeira Página.

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