Justiça autoriza quebra de sigilo telefônico de padre morto em assalto
Sacerdote foi assassinado por um jovem de 18 anos, que levou o carro da vítima
A Justiça de Mato Grosso do Sul autorizou a quebra de sigilo telefônico do padre Alexsandro da Silva Lima, morto no dia 14 de novembro, em Dourados. O crime foi descoberto um dia após a vítima desaparecer.

De acordo com o documento ao qual o Primeira Página teve acesso, o juiz Ricardo da Mata Reis autorizou o acesso aos aparelhos celulares apreendidos, tanto do sacerdote, quanto dos envolvidos no crime.
“Com tais fundamentos defiro a quebra de sigilo de dados telefônicos, possibilitando a realização de perícia nos aparelhos de telefonia celular da vítima e dos investigados, todos apreendidos nos autos (fls. 01-08), inclusive com o uso do software”, alegou.
O crime
O padre Alexsandro foi morto com golpes de marreta e faca, na noite do dia 14 de novembro. O ataque aconteceu durante um assalto, no qual o criminoso levou o veículo da vítima.
O suspeito, identificado como Leanderson de Oliveira Júnior, de 18 anos, foi preso horas depois do crime. Em depoimento, ele confessou o assassinato. As investigações apontam que o rapaz contou com a ajuda de um adolescente de 17 anos. Juntos, planejavam furtar o carro do padre e levá-lo ao Paraguai para vendê-lo por R$ 40 mil.
O adolescente também demonstrou interesse em ficar com a casa da vítima após o assassinato, dizendo que pretendia utilizá-la para festas e eventos. Leanderson relatou que o colega prestou auxílio material na execução, embora tenha chegado ao local quando o padre já havia sido golpeado na cabeça com a marreta.
Em depoimento, o jovem admitiu ter atingido a vítima na cabeça e, ao perceber que ela ainda respirava, usado uma faca para desferir novos golpes, inclusive no pescoço. Ele também afirmou estar sob efeito de bebida alcoólica durante o ataque.
Depois das agressões, o corpo do padre foi levado para uma área de mata no Distrito Industrial, onde foi abandonado. O local só foi encontrado porque o próprio autor indicou o ponto exato aos investigadores. O laudo pericial confirmou que as lesões eram compatíveis com os instrumentos utilizados, corroborando a dinâmica descrita na confissão.
O acusado ainda afirmou ter contado com a ajuda da namorada, de 16 anos, e de mais dois amigos, João Victor Martins, de 18 anos e a namorada de 17 anos, para limpar o local do crime com o objetivo de prejudicar a perícia. O grupo também participou da ocultação do corpo em uma região distante da cidade.
Aproveitando-se da situação, dois dos adolescentes furtaram diversos objetos da residência da vítima. Entre os itens estavam utensílios domésticos, peças de cozinha e outros materiais que, posteriormente, foram encontrados nas casas onde os jovens se esconderam.
Entre eles havia ventilador, chaleira elétrica, jogo de jantar, formas de vidro, garrafa térmica, petisqueira, pratos, equipamentos de cozinha e até uma cuia e bomba de chimarrão com gravação dedicada ao padre.
Também foram levados talheres, xícaras, airfryer, vinho e até um botijão de gás, que chegou a ser vendido. O veículo do padre, que motivou o latrocínio, foi recuperado pela polícia. A investigação começou quando o celular da vítima foi localizado por um adolescente, que acionou a polícia.
As equipes passaram a vasculhar a região e encontraram o carro do religioso em circulação com quatro jovens. Dentro do veículo havia diversos objetos pessoais do padre, incluindo itens retirados da casa. O grupo admitiu ter circulado com o carro e levado pertences do sacerdote, embora apenas um deles tenha assumido a autoria da violência que resultou na morte.
Os dois maiores de idade foram presos em flagrante, e as prisões convertidas em preventivas. O autor direto do homicídio, Leanderson Junior, permanece recolhido na Primeira Delegacia de Polícia de Dourados.
João Victor Martins, apontado por auxiliar na limpeza do local e na ocultação do corpo, além de participar dos furtos, foi encaminhado à Segunda Delegacia.
Os três adolescentes foram apreendidos em flagrante e conduzidos à Unei de Dourados, em razão da gravidade do ato infracional e da repercussão social. A Polícia Civil concluiu que o caso se trata de latrocínio, seguido de ocultação de cadáver, fraude processual destinada a dificultar a perícia e furto qualificado cometido após a morte da vítima.
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