Justiça manda realizar perícia e acabar com racionamento de água em 7 presídios
Estado deverá comprovar regularidade no abastecimento e nas condições das unidades sob risco de multa.
O desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), determinou que o Estado acabe com o racionamento de água e corrija irregularidades estruturais em sete unidades prisionais. A decisão amplia medidas já adotadas após inspeção que apontou superlotação, falta de assistência médica e condições degradantes na penitenciária de Sinop.

A ordem passa a valer para as seguintes unidades:
- Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá;
- Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá;
- Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas (CRIALD), em Várzea Grande;
- Centro de Ressocialização de Várzea Grande (CRVG);
- Penitenciária Major Eldo Sá Correa, a “Mata Grande”, em Rondonópolis;
- Cadeia Pública Feminina de Rondonópolis;
- além da Penitenciária “Ferrugem”, em Sinop, onde a situação foi inicialmente constatada.
A decisão foi tomada após a Defensoria Pública de Mato Grosso apresentar relatórios que apontam racionamento de água, superlotação, infestação de pragas, falta de medicamentos e alimentação de má qualidade nas unidades.
Segundo os documentos anexados ao processo, na PCE o fornecimento de água ocorria apenas duas a três vezes por dia, por cerca de 15 minutos, o que obrigava detentos a armazenarem o líquido em recipientes improvisados, como garrafas de água sanitária. Há ainda registros de presença de coliformes fecais e E. coli na água, além de relatos de carne estragada, ausência de colchões e presos dormindo diretamente no chão.
Diante do cenário, o magistrado determinou o fim imediato do racionamento de água nas unidades incluídas na decisão. A ordem estabelece que o fornecimento deve ser contínuo, com possibilidade de instalação de novas caixas d’água, perfuração de poços e manutenção da rede hidráulica, se necessário.
Também foram impostas medidas de controle sobre o uso de armas menos letais por policiais penais, como a criação de livro de registro detalhado para cada ocorrência, pesagem obrigatória de equipamentos de spray antes e depois do uso e proibição de armamento adquirido de forma particular.
O que o Estado tem que cumprir e em quanto tempo
A decisão estabelece prazos diferentes para medidas imediatas e ações técnicas e estruturais.
Prazos por etapa
Medidas imediatas de controle do uso da força e de armas menos letais, com registro obrigatório e fiscalização do uso.
Perícia da qualidade da água, perícia de engenharia civil, vistoria sanitária e apresentação de plano para remoção progressiva dos “latões”.
Execução do plano de remoção das estruturas metálicas, com cronograma e custos definidos.
Multa por descumprimento
Na decisão, o desembargador cita precedentes do Supremo Tribunal Federal que reconhecem o “estado de coisas inconstitucional” no sistema penitenciário brasileiro e reforça que a dignidade da pessoa humana não pode ser relativizada, mesmo durante o cumprimento de pena.
A decisão original teve como base a situação da Penitenciária Dr. Osvaldo Florentino Leite Ferreira, conhecida como “Ferrugem”, em Sinop.

O que a inspeção encontrou em Sinop
A inspeção judicial extraordinária realizada nos dias 11 e 12 de dezembro de 2025 identificou um quadro considerado crítico na unidade. O relatório apontou superlotação estrutural, com 1.742 presos para uma capacidade de 1.328 vagas, o que representa ocupação superior a 130%.
Também foram constatados racionamento de água em horários restritos, armazenamento do líquido em recipientes improvisados, calor excessivo nas celas, ventilação insuficiente e saneamento precário, com relatos de sanitários em más condições e infiltrações.
Na área da saúde, o documento descreve dificuldades de acesso a atendimento médico, interrupção de medicamentos de uso contínuo e ausência de acompanhamento adequado para presos com doenças crônicas e transtornos mentais. A assistência odontológica, segundo o relatório, estaria restrita basicamente a extrações.
Outro ponto sensível diz respeito a relatos de uso inadequado de spray de pimenta e falhas no registro do uso da força, além da ausência de documentação padronizada sobre intervenções com tecnologias não letais.
O desembargador entendeu que as irregularidades não eram pontuais, mas estruturais, o que justificou a ampliação da decisão para outras unidades do estado.
O Primeira Página solicitou posicionamento do governo de Mato Grosso e aguarda retorno.
Leia mais
-
PF descobre câmeras na PCE capazes de gravar conversas secretas de advogados com presos
-
Advogada é presa tentando entrar com oito pacotes de Whisky na PCE
-
Presos da PCE que comandavam crimes são transferidos para o RDC após ação do Gaeco
-
De carne assada a chocolate: lobista deixa PCE debilitado, mesmo com dieta especial
-
Golpes virtuais com origem na PCE levam a prisões e bloqueio de R$ 2,7 milhões
-
Denúncia de escutas entre presos e advogados na PCE deve ser investigada pela PF
-
Governador de MT classifica fuga na PCE como “inadmissível”
-
Câmeras registram fuga de presos da PCE; muro dá fundos com empresa de transportes
-
Dois presos fogem da PCE em Cuiabá; Sejus investiga como escaparam
-
Esposa de chefe de facção e advogada são alvos de operação; faccionado será isolado na PCE
-
Produtor rural morre um dia após acidente na MT-140
Mais lidas - 1 Guia espiritual denunciado por 12 mulheres é absolvido pela Justiça em Cuiabá
- 2 VÍDEO: mulher diz que suspeito de matar irmã quis se mudar após ser solto por engano
- 3 Suspeito de matar irmã em Cuiabá já respondia por mortes de tia e vizinho; veja a ficha completa
- 4 Família pede revisão de condenação após suspeito de matar irmã ser preso em Cuiabá
- 5 Mandante de feminicídio que fingiu entrega para matar ex-companheira é condenado a 30 anos
- 1 Guia espiritual denunciado por 12 mulheres é absolvido pela Justiça em Cuiabá
- 2 VÍDEO: mulher diz que suspeito de matar irmã quis se mudar após ser solto por engano
- 3 Suspeito de matar irmã em Cuiabá já respondia por mortes de tia e vizinho; veja a ficha completa
- 4 Família pede revisão de condenação após suspeito de matar irmã ser preso em Cuiabá
- 5 Mandante de feminicídio que fingiu entrega para matar ex-companheira é condenado a 30 anos





