Justiça mantém prisão de filho de ex-deputado por morte de casal em Cuiabá

Thays e seu namorado, Willian, foram mortos na tarde do dia 18 de janeiro, na frente de um prédio residencial, no bairro Alvorada, em Cuiabá

A juíza da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, manteve a prisão preventiva de Carlos Alberto Gomes Bezerra – filho do ex-deputado federal, Carlos Bezerra (MDB), pelo feminicídio qualificado contra Thays Machado e homicídio qualificado contra Willian Cesar Moreno. O crime foi registrado em 18 de janeiro, em Cuiabá.

Thays e Willian mortos por Carlos Alberto Gomes Bezerra (reprodução)
Thays e Willian mortos por Carlos Alberto Gomes Bezerra, que confessou o crime. (Foto: Reprodução).

Thays e seu namorado, Willian, foram mortos na tarde do dia 18 de janeiro, na frente de um prédio residencial, no bairro Alvorada, em Cuiabá. Carlos atirou seis vezes contra o casal, atingindo cada vítima com, pelo menos, três disparos.

O autor do duplo homicídio foi preso em flagrante, horas depois do crime, em uma fazenda na região do município de Campo Verde, 139 km de Cuiabá.

No dia da prisão, equipes da Polícia Civil realizaram buscas contínuas a fim de esclarecer o crime e a autoria. Com o acusado, foi apreendida a arma usada para matar as vítimas.

Buscas na casa do suspeito

Durante buscas na casa de Carlos Alberto, na manhã do dia 23 de janeiro, investigadores da Polícia Civil encontraram rastreadores. Conforme as investigações, Carlos tinha geolocalização da vítima e a agenda de contatos da mulher. Além disso, o suspeito ainda buscava saber quem eram as pessoas que Thays entrava em contato.

Segundo a polícia, a investigação apontou que Carlos perseguia Thays insistentemente e no dia do crime, no meio da madrugada, ele seguiu a vítima depois que ela saiu do Aeroporto Marechal Rondon, onde foi buscar Willian.

Era 3h55 da madrugada de 18 de janeiro, quando Thays fez contato com o Ciosp pelo número 190 e relatou, em desespero, que estava na Avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha) quando foi seguida pelo autor dos homicídios.

Ela contou ainda que ele costumava andar armado. A vítima recebeu ainda orientação para procurar a Delegacia da Mulher e foi solicitado que entrasse em contato, caso fosse necessário.

Thays havia feito um boletim de ocorrência contra Carlos e, de acordo com a polícia, o crime ocorreu quando ela estava no prédio para devolver o carro que havia emprestado da mãe, usado para buscar o namorado no aeroporto.

Câmeras de segurança registraram as vítimas caminhando juntas momentos antes de serem assassinadas.

Durante as investigações, familiares de Thays foram ouvidos e afirmaram que o suspeito era “extremamente ciumento e possessivo”. Ele e a vítima mantinham um relacionamento há alguns anos, entre idas e vindas. O término mais recente teria ocorrido há cerca de 45 dias.

A polícia descobriu que Thays Machado era monitorada pelo ex-namorado por meio de uma ‘central de controle’, com informações detalhadas do dia a dia da vítima. Na casa do investigado, foram encontrados 71 prints de localizações dos lugares que a mulher frequentava. Carlos fazia o download no celular dele e, depois, imprimia a geolocalização. O investigado instalou os programas quando ainda se relacionava com a vítima.

Os investigadores encontraram ainda um caderno onde tinha as anotações com datas e locais que os aparelhos foram instalados. Assim, ele poderia saber até quanto tempo de bateria duraria os aparelhos de monitoramento.

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