Justiça reconhece erro da polícia e livra jovem acusado injustamente

Perícia em digitais comprovou troca de identidade; primo era o verdadeiro autor do furto em Cáceres

Um jovem de 23 anos foi absolvido e teve o nome retirado de um processo criminal após a Justiça reconhecer que ele foi acusado injustamente por um furto ocorrido em uma escola particular, no bairro Cohab Velha, em Cáceres (MT), em junho de 2023. A decisão aponta que houve erro de identificação e que o verdadeiro autor do crime era o primo do acusado.

A reviravolta veio após a análise técnica das impressões digitais, solicitada pela Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT), que comprovou que as digitais colhidas no momento da prisão em flagrante não pertenciam ao jovem e sim ao primo dele, real responsável pelo crime.

Durante o andamento do processo, o acusado negou por diversas vezes ter participado da ação criminosa. Em uma das declarações, chegou a citar que o apelido atribuído a ele no processo na verdade era de seu primo. Diante das divergências de provas, a Defensoria solicitou um laudo confrontando as digitais do jovem com o primo. 

O exame, realizado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) em dezembro de 2025, confirmou que houve a troca da identidade no processo. De acordo com a Defensoria, o erro aconteceu porque o verdadeiro suspeito forneceu indevidamente os dados do primo no momento da prisão, sem apresentar documento oficial.

A principal prova do erro veio a partir da análise de papiloscopia. - Foto: Reprodução
A principal prova do erro veio a partir da análise de papiloscopia. – Foto: Reprodução

“Mais um caso em que não se realiza a correta identificação, civil ou criminal, quando uma pessoa presa informa o nome de terceiro inocente como próprio”, afirmou o defensor público Odonias França de Oliveira, ao criticar a ausência de verificações básicas pelas autoridades policiais. 

Na sentença publicada em 4 de fevereiro, a juíza Lucélia Oliveira Vizzotto reconheceu a “nulidade absoluta” do processo em relação ao jovem e determinou a exclusão de qualquer registro policial ou judicial vinculado ao nome dele. 

Com o reconhecimento do erro, o processo seguirá apenas contra o verdadeiro autor do crime, enquanto o jovem fica livre de qualquer pendência judicial.

Leia mais

  1. Caso Joca: Justiça mantém Defensoria no processo e Gol terá que provar que não teve erro

  2. Inscrições para concurso da Defensoria Pública de MT terminam nesta quarta-feira

  3. Defensoria Pública de MT abre concurso com salário de R$ 35,6 mil

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Leia também em Justiça!

  1. Alexandre de Morais, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). (Foto: Victor Piemonte/STF)

    STF barra visita de assessor de Donald Trump a Jair Bolsonaro

    O pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren...

  2. Camila Brito da Silva foi morta a mando do ex-companheiro por um atirador disfarçado de entregador. - Foto: Reprodução.

    Mandante de feminicídio que fingiu entrega para matar ex-companheira é condenado a 30 anos

    O réu confessou que não aceitava o fim do relacionamento e pressionava...

  3. STJ mantém condenação de juiz de MT por suposto esquema de venda de sentenças. - Foto: Reprodução

    STJ nega recurso de juiz mato-grossense condenado por venda de sentenças

    Interceptações telefônicas de investigação sobre tráfico de drogas em Goiás apontaram indícios...

  4. VÍDEO: mulher diz que suspeito de matar irmã quis se mudar após ser solto por engano

    Mariane Mara da Silva afirmou em depoimento à polícia que o marido...

  5. Racismo religioso

    Governo sanciona lei contra racismo religioso em MS

    Lei combate o racismo religioso contra comunidades negras e indígenas do Estado. ...