Justiça retoma processo contra assassino de Sophia

Diante dos novos atos de violência, a ação de violência doméstica foi retomada; foi anexada aos autos a audiência de custódia mantendo o flagrante pela morte da menina e determinada a citação onde ele está preso

Depois da morte da menina Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, a Justiça de Mato Grosso do Sul retomou o processo de violência doméstica contra Christian Campoçano Leitheim, de 25 anos, padrasto da menina, que está preso pelo crime. Em trâmite na 2° Vara da Violência Doméstica e Familiar, refere-se a episódio de 2018.

Christian sophia
Christian está preso desde o dia 27 de janeiro (Foto: Redes Sociais)

Chris – como é conhecido – foi intimado pela juíza Adriana Lampert e agora tem 10 dias para apresentar a resposta à acusação, por escrito.

O processo em que Chris terá que se pronunciar é consequência de um boletim de ocorrência registrado em 28 de novembro de 2018 pela então companheira dele, que na época tinha 18 anos. A mulher, mãe do primeiro filho do assassino de Sophia, contou que foi agredida com ofensas verbais e soco no rosto.

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Christian foi indiciado pela Deam (Delegacia Especializa de Atendimento à Mulher) e denunciado pela promotoria à Justiça, mas nunca foi localizado para responder à acusação. Por isso, o processo foi suspenso em julho do ano passado, pelo prazo de até oito anos depois, tempo de prescrição da infração penal.

Diante dos novos atos de violência, o processo foi retomado. Foi anexada aos autos a audiência de custódia mantendo o flagrante pela morte de Sophia e determinada a citação onde ele está preso.

“O acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário”.

Passado de violência

O suspeito ainda agrediu e ameaçou a ex-esposa outras duas vezes: em 5 de janeiro de 2019 e 6 de junho de 2019. Todo a história foi narrada na coluna Capivara Criminal.

Em um dos casos, a vítima narra que Chris ameaçou tirar a guarda do filho, o mesmo que fazia com a mãe de Sophia, Stephanie de Jesus da Silva, de 24 anos, quando agredia a menina, segundo o que ela relatou a polícia. “Vou tirar meu filho de você, nem que eu tenha de matar”, teria dito à ex-companheira.

Em 5 de janeiro de 2019, depois de idas e vindas, a mulher foi pela segunda vez à Casa da Mulher Brasileira, dizendo ter sido xingada e empurrada próximo ao portão da casa em que morava com ele. “Você é uma vagabunda, imprestável, puta, idiota, babaca, preguiçosa, imunda, porca, praga, demônio, desgraça e filha da puta” são palavras descritas aos policiais.

Em 6 de junho de 2019, mais uma uda à delegacia, as ofensas foram iguais as anteriores, mas a violência foi ainda maior; socos nos braços e a expulsão dela da casa. Desta vez, a jovem revelou que era escapada constantemente e que o companheiro era controlador, ao ponto de afastá-la da própria família.

A pesar disso, os dois últimos boletins de ocorrência foram arquivamento porque a vítima desistiu de levar os casos à frente.

Hoje, Chris está preso preventivamente pelo assassinato brutal da enteada. Segundo a Polícia Civil, laudo necroscópico aponta que a menina morreu por causa de um trauma na coluna cervical que evoluiu para uma hemorragia interna, no dia 26 de janeiro. Ela só foi levada a uma unidade médica sete horas depois de morta.

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