Justiça vai ouvir ex-secretário de Cuiabá por suspeita de favorecer empresa no Paraná
Amauri Monge, é investigado por integrar um suposto esquema que favoreceu ilegalmente o Instituto Lótus na contratação de um projeto educacional em mais de R$ 459 mil no Paraná.
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) vai ouvir, no dia 5 de agosto, o ex-secretário de Educação de Cuiabá, Amauri Monge Fernandes, no processo em que ele responde por supostamente participar de um esquema do Consórcio de Desenvolvimento e Inovação do Norte do Paraná (Codinorp) que favoreceu o Instituto Lótus para desenvolver um projeto educacional em 10 municípios integrantes do consórcio do Paraná, em 2018.

A decisão que marcou a audiência para que Amauri Monge, Nabil Mohamad Onissi, Silvio Antonio Damaceno e Luís Sérgio Barbosa Murro sejam ouvidos é do juiz Francisco de Carvalho Lapa, da Vara da Fazenda Pública de Porecatu (PR), uma das integrantes do consórcio, publicada no dia 18 de junho.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), o suposto esquema integrado por Amauri resultou no enriquecimento de R$ 459,5 mil da empresa contratada.
Conforme o juiz, na audiência realizada neste mês, foram ouvidas as testemunhas indicadas pelo Ministério Público do Paraná e pelas defesas dos acusados. Uma das testemunhas de acusação foi dispensada, enquanto outras prestaram depoimento na condição de informantes.
Todos os relatos foram gravados em sistema audiovisual. Com a conclusão da escuta das testemunhas e sem a apresentação de novas provas, o juiz Francisco de Carvalho marcou para o dia 5 de agosto o interrogatório de Amauri, que será a última ação antes do andamento para as etapas finais do processo.
“A presente instrução continuará em audiência agendada para a data de 05/08/2026 às 15h30min, a
fim de ser realizado neste ato o interrogatório do réu Amauri Monge Fernandes […]”, decidiu o magistrado.
O Primeira Página tentou contato com a defesa de Amauri Monge, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O Instituto Lótus também foi procurado.

Amauri Monge responde por enriquecimento ilícito de terceiros, prejuízo ao erário (cofres públicos) e violação dos princípios da administração pública, segundo os documentos do processo.
O caso
Segundo o Ministério Público do Paraná, Amauri Monge é acusado de participar de supostas irregularidades na contratação do Instituto Lótus por meio do Chamamento Público nº 02/2018, realizado pelo Consórcio.
Na época, Amauri atuava como agente público ligado ao consórcio e, de acordo com a acusação, teria contribuído para a formalização da parceria, mesmo diante de indícios de problemas no processo de seleção da entidade.

O Ministério Público também aponta indícios de que o Instituto Lótus foi apresentado antes mesmo da assinatura oficial do termo de fomento. Após a contratação, a entidade passou a subcontratar empresas para executar o projeto educacional financiado com recursos públicos, entre elas a N7 Treinamentos e a SM74 Planejamento, Treinamento e Serviços.
Ainda segundo a acusação do Ministério Público, essas contratações teriam beneficiado pessoas ligadas à própria entidade contratada. Auditoria do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) apontou que o Instituto Lótus não comprovou capacidade técnica suficiente para executar o projeto e identificou possíveis conflitos de interesse nas subcontratações.
Para o Ministério Público, o esquema teria causado prejuízo aos cofres públicos e proporcionado enriquecimento ilícito de particulares no valor de R$ 459,5 mil.
Andamento do processo
Em janeiro de 2022, a Justiça do Paraná determinou o bloqueio de bens e contas bancárias de Amauri Monge Fernandes e de outros investigados no processo.
Na decisão, o juiz Malcon Jackson Cummings determinou a indisponibilidade de bens, o bloqueio de ativos financeiros via Sisbajud, a inclusão dos investigados no Cadastro Nacional de Indisponibilidade de Bens e restrições sobre veículos registrados em seus nomes.
No caso de Amauri Monge, o bloqueio foi fixado em até R$ 919,1 mil, mesmo valor aplicado a outros investigados apontados como agentes públicos ou beneficiários da contratação questionada.
Escândalo em Cuiabá
Em abril de 2025, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), nomeou Amauri Monge como Secretário de Educação de Cuiabá em substituição a Evanilda Solange Dias. Um ano depois, em 2 de abril de 2026, Abilio anunciou a demissão de Amauri da pasta como uma mudança estratégica administrativa.
Cerca de um mês depois da saída de Amauri da pasta, em maio, Abilio denunciou suposto desvio de aproximadamente R$ 80 milhões na compra de materiais escolares da Secretaria de Educação, quando a pasta era comandada por Amauri.
Já no dia 25 de maio, Amauri foi à Câmara de Cuiabá para rebater as acusações levantadas por Abilio. Na ocasião, Amauri acusou Abilio de praticar “pedalada fiscal” de R$ 100 milhões na Secretaria de Educação. Veja vídeo:
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