Lideranças indígenas têm R$ 11,3 milhões bloqueados por garimpo ilegal em MT

Investigação aponta que lideranças indígenas autorizavam entrada de garimpeiros em troca de parte do ouro e diamantes extraídos ilegalmente.

Um total de R$ 11,3 milhões em bens foram bloqueados das contas de cinco envolvidos em mineração ilegal na Terra Indígena Sete de Setembro, dentre eles quatro lideranças indígenas – que foram presas durante a Operação Olhos Fechados, deflagrada em maio de 2025, em Rondolândia (MT). A determinação judicial, divulgada na última sexta-feira (6), foi dada após pedido do Ministério Público Federal (MPF).

Garimpo ilegal dentro da Terra Indígena Sete de Setembro (agosto de 2023). - Foto: Observa Rondônia.
Garimpo ilegal na Terra Indígena Sete de Setembro (agosto de 2023). – Foto: Observa Rondônia.

Segundo a investigação, o grupo atuava dentro do território indígena sem autorização dos órgãos ambientais desde 2016, com forte avanço entre 2022 e 2024. A área habitada pelos Paiter Suruí soma cerca de 248 mil hectares e abriga hoje 1.490 habitantes.

Em junho do ano passado, os cinco envolvidos foram denunciadas, pelo MPF pelos crimes de garimpo ilegal de ouro e exploração clandestina de madeira.

Durante as fiscalizações na terra indígena, agentes encontraram acampamentos e motores de grande porte, que seriam usados na extração mineral. A estrutura contava com suporte logístico para manter as atividades ilegais de forma prolongada na floresta.

Ainda conforme as investigações, o garimpo funcionava com duas frentes de exploração irregular: extração de diamantes e de ouro.

Os líderes indígenas que ocupavam posições de liderança nas comunidades autorizavam, segundo a investigação, a entrada de garimpeiros não indígenas no território mediante pagamento de até 20% dos minérios obtidos ilegalmente.

Um dos indígenas é apontado como comandante dos garimpeiros e responsável por ameaçar membros da comunidade que tentavam combater as atividades ilegais na reserva, como apontou as investigações.

GARIMPO TERRA INDIGENA
Terra indígena Sete de Setembro já foi alvo de operações da Polícia Federal e do Ibama. – Foto: Ibama/Assessoria

Danos causados à terra indígena

Durante o período de exploração clandestina, danos severos teriam sido causados à biodiversidade local, com desmatamento uma área de 27,29 hectares de floresta nativa do bioma Amazônia.

O valor bloqueado pelo MPF como indenização deve ser pago pelos réus ao fim do processo, para garantir a futura reparação de danos ambientais causados na área protegida, conforme a decisão assinada pelo juiz federal Rodrigo Bahia Accioly Lins.

FALE COM O PP

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.