Lobista que intermediava venda de sentenças é preso em Cuiabá

Andreson é apontado como o principal lobista do advogado Roberto Zampieri, que foi assassinado em dezembro de 2023

Andreson de Oliveira Gonçalves foi preso na manhã desta terça-feira (26), durante a Operação Sisamnes, da PF (Polícia Federal). O empresário é apontado como o principal lobista do advogado Roberto Zampieri, que foi assassinado em dezembro de 2023, no esquema de corrupção e vendas de sentenças.

Em outubro, Andreson foi alvo de mandados de busca e apreensão. Durante as investigações, foram encontrados áudios do lobista no celular de Roberto Zampieri, onde são feitas cobranças de pagamentos em aberto ao advogado.

Ele também foi alvo da Operação Ultima Ratio, deflagrada em outubro deste ano. De acordo com a PF, os suspeitos são investigados pelos crimes de corrupção em vendas de decisões judiciais, lavagem de dinheiro, organização criminosa, extorsão e falsificação de escrituras públicas no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul.

Além da prisão preventiva, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão. Dentre os alvos, estão também os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho, que foram afastados em agosto deste ano, pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Os mandados foram cumpridos na casa dos alvos, escritórios, empresas e gabinetes. Houve busca também no escritório do Zampieri.

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Operação Sisamnes

As investigações apontam para um suposto esquema de venda de decisões judiciais, envolvendo advogados, lobistas, empresários, assessores, chefes de gabinete e magistrados.

De acordo com as apurações, os investigados solicitavam valores para beneficiar partes em processos judiciais, por meio de decisões favoráveis aos seus interesses.

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Também são investigadas negociações relacionadas ao vazamento de informações sigilosas, incluindo detalhes de operações policiais.

Por determinação do STF (Supremo Tribunal Federal), são cumpridos um mandado de prisão preventiva e 23 de busca e apreensão em Mato Grosso, Pernambuco e no Distrito Federal, além de medidas cautelares como instalação de monitoramento eletrônico, afastamento das funções públicas de servidores e membros do Poder Judiciário, sequestro, arresto e indisponibilidade de bens e valores dos investigados.

A investigação teve início a partir de dados encontrados no celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em dezembro de 2023, que indicavam a existência de vantagens financeiras indevidas e presentes de alto valor entregues aos magistrados em troca de decisões favoráveis.

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