Mãe de criança de 4 anos, vendedora de carros suspeita de esquema que teria movimentado R$ 50 milhões em MT deixa a prisão

Vendedora apontada como 'peça central' de esquema que teria movimentado R$ 50 milhões em Sorriso teve a prisão preventiva substituída por domiciliar.

Mãe de uma criança de 4 anos, a vendedora Vitória Sara Bezerra, apontada pela Polícia Civil como “peça central” de um esquema que teria movimentado R$ 50 milhões em Sorriso (MT), teve a prisão preventiva substituída por prisão domiciliar.

A decisão foi concedida pelo desembargador Orlando de Almeida Perri, durante o plantão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A investigada havia se apresentado voluntariamente à polícia na quinta-feira (27), acompanhada do advogado, após ser considerada foragida durante a Operação Pátio Paralelo.

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Vitória Sara se entregou à Policia Civil na quinta-feira (27). – Foto: Instagram/Reprodução

Segundo o advogado Willian Puhl, o habeas corpus foi apresentado na sexta-feira (28) e a liminar concedida na manhã de sábado (29). Nesta segunda-feira (31), a defesa aguardava a expedição do alvará de soltura pelo Juízo das Garantias do Núcleo de Sinop.

“Nós impetramos o habeas corpus na sexta-feira e a liminar foi concedida na manhã de sábado. O cumprimento depende agora da expedição do alvará de soltura pelo juiz de primeiro grau, no caso o Juízo das Garantias do Núcleo de Sinop”, explicou Willian.

A decisão do desembargador determinou que o juízo de origem expedisse o alvará, desde que Vitória não esteja presa por outro motivo. Até o cumprimento da ordem, ela permanecia na carceragem da delegacia.

Proteção à criança

Na decisão, o magistrado considerou que Vitória é mãe de uma criança menor de 12 anos e que os crimes investigados não foram cometidos com violência ou grave ameaça, nem contra a filha ou outro dependente.

O artigo 318-A do Código de Processo Penal determina a substituição da prisão preventiva por domiciliar nesses casos, salvo em situações excepcionais devidamente fundamentadas.

O desembargador ressaltou que a medida não representa um benefício concedido à investigada, mas uma forma de proteger a criança dos efeitos de uma investigação criminal da qual não faz parte.

“A medida não representa benefício deferido à acusada, mas proteção constitucional de terceiro inocente – a criança de quatro anos alcançada pelos efeitos de persecução penal que não lhe diz respeito”, afirma trecho da decisão.

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Vendedora é apontada pela investigação como peça central de esquema que teria movimentado cerca de R$ 50 milhões. – Foto: Reprodução

Buscas e bloqueios já haviam sido cumpridos

Outro fundamento apresentado foi que os mandados de busca e apreensão da Operação Pátio Paralelo já haviam sido cumpridos. Celulares, computadores e documentos que poderiam ser ocultados ou destruídos estavam sob a responsabilidade das autoridades.

As ordens de bloqueio de ativos financeiros e de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático também já haviam sido expedidas.

A decisão aponta ainda que não foi apresentado nenhum episódio concreto de tentativa de Vitória de intimidar vítimas ou interferir nas investigações. Para o magistrado, uma eventual preocupação com o contato poderia ser resolvida por meio de medidas cautelares, sem necessidade de manter a prisão em uma unidade policial.

O fato de a investigada ter se apresentado voluntariamente na delegacia, um dia após a operação, também foi considerado suficiente para afastar a alegação de risco de fuga.

O desembargador ainda entendeu que um inquérito anterior por estelionato, encerrado após o cumprimento de um Acordo de Não Persecução Penal, não poderia ser usado para justificar risco de repetição de crimes.

Falta de vaga reforçou a decisão

Vitória estava mantida na carceragem da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso porque não havia vaga disponível em um estabelecimento prisional feminino adequado.

A situação não foi o principal motivo da concessão da prisão domiciliar, mas reforçou o entendimento do desembargador. Conforme a decisão, manter uma pessoa presa provisoriamente em uma delegacia viola regras da legislação penal e garantias previstas na Constituição.

Medidas impostas

Mesmo após o cumprimento do alvará, Vitória continuará presa, mas em regime domiciliar. Ela deverá manter atualizados o endereço residencial, o número de telefone e o e-mail informados à Justiça.

A investigada também está proibida de manter contato, por qualquer meio, com os demais investigados e com as vítimas identificadas no inquérito.

O descumprimento das medidas poderá resultar na revogação da prisão domiciliar e na decretação de uma nova prisão preventiva. A decisão é liminar, e o mérito do habeas corpus ainda será analisado.

Operação Pátio Paralelo investiga o desvio de carros entregues como entrada na compra de veículos novos em Sorriso.
Operação Pátio Paralelo investiga o desvio de carros entregues como entrada na compra de veículos novos em Sorriso. – Foto: Polícia Civil-MT

Operação Pátio Paralelo

A Operação Pátio Paralelo investiga o desvio de veículos e de pagamentos realizados por clientes durante negociações de carros novos em uma concessionária de Sorriso.

Segundo a Polícia Civil, os clientes entregavam veículos usados como parte do pagamento ou transferiam valores referentes à entrada. Os automóveis, porém, não eram registrados pela concessionária e teriam sido encaminhados para outra garagem.

Os pagamentos também teriam sido direcionados para contas pessoais ou de pessoas e empresas relacionadas ao grupo investigado.

Vitória, que trabalhava como consultora de vendas, é apontada como responsável por captar clientes, conduzir negociações, receber veículos e indicar contas para os pagamentos.

A investigação estima que cerca de R$ 50 milhões tenham passado pelas contas analisadas no período de um ano. Somente na conta pessoal da vendedora teriam sido movimentados R$ 8 milhões.

O prejuízo inicialmente calculado é de aproximadamente R$ 2 milhões, e entre 15 e 20 possíveis vítimas já foram identificadas. Vitória é investigada por suspeita de furto qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

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  1. Vendedora de carros é procurada pela polícia por suspeita de furto e associação criminosa em esquema de R$ 50 milhões

  2. Vendedora de carros suspeita de esquema que teria movimentado R$ 50 milhões se entrega à polícia junto com advogado

  3. Carros dados como entrada em concessionária eram desviados em esquema de R$ 50 milhões em MT

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