Médica é condenada a 3 anos e 2 meses por atropelamento que matou verdureiro em Cuiabá

A decisão da 10ª Vara Criminal da Capital estabeleceu ainda 23 dias-multa e a suspensão do direito de dirigir por quatro meses e 20 dias.

A médica Letícia Bortolini foi condenada a 3 anos e 2 meses de detenção pela morte do verdureiro Francisco Lúcio Maia, atropelado na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá, em abril de 2018. Na decisão, assinada na última quinta-feira (30), também ficou estabelecido 23 dias-multa e a suspensão do direito de dirigir por quatro meses e 20 dias.

leticia bertolini
A condenação de Letícia Bortolini ainda cabe recurso, já que foi proferida em primeira instância. – Foto: Andre Kuczkowski

A sentença foi proferida pelo juiz Moacir Rogério Tortato, da 10ª Vara Criminal da Capital, que também fixa o cumprimento da pena inicialmente em regime aberto.

Ao longo dos oito anos de tramitação, o Ministério Público sustentava que a médica deveria responder por homicídio doloso, quando se entende que o motorista assume o risco de matar. No entanto, após recursos e decisões das instâncias superiores, a acusação foi reclassificada para homicídio culposo na direção de veículo, quando não há intenção de provocar a morte.

Na sentença, o juiz concluiu que o conjunto de provas aponta que Letícia conduzia o veículo envolvido no acidente e que a morte de Francisco aconteceu por conta da condução imprudente do veículo. A decisão destaca que havia elementos suficientes para apontar que a médica dirigia acima do limite permitido para a via e sob influência de álcool.

Ainda de acordo com o magistrado, os crimes de omissão de socorro e fuga do local do acidente não foram mais analisados porque a possibilidade de punição por esses delitos prescreveu ao longo da tramitação do processo. Assim, a sentença tratou apenas dos crimes de homicídio culposo na direção de veículo automotor e embriaguez ao volante.

Ao fixar a pena, o juiz considerou fatores como as circunstâncias do acidente e o comportamento da médica após o atropelamento. Além da condenação à detenção, foi aplicada multa e a suspensão temporária da habilitação para dirigir.

A decisão é de primeira instância e ainda pode ser contestada por meio de recurso. A defesa de Letícia Bortolini, por meio do advogado Giovane Santin, informou que respeita a decisão do magistrado da 10° Vara Criminal, mas deve recorrer. O recurso ainda não foi protocolado.

Relembre o caso

14 de abril de 2018 O Atropelamento
Segundo a denúncia, na noite de 14 de abril de 2018, Letícia dirigia um Jeep Compass pela Avenida Miguel Sutil depois de participar de um evento. Francisco Lúcio Maia atravessava a via empurrando um carrinho de verduras quando foi atingido pelo veículo.

Com o impacto, o verdureiro foi arremessado contra um poste e uma árvore. Ele morreu ainda no local. Conforme a investigação, a motorista deixou a cena do acidente sem prestar socorro. O veículo foi localizado pouco depois em um condomínio no bairro Jardim Itália, após ser seguido por uma testemunha.
Jeep Compass envolvido no acidente
23 de fevereiro de 2022 Audiência de instrução e julgamento
Em depoimento à 12ª Vara Criminal de Cuiabá, a médica afirmou que não teve conhecimento do acidente e que acreditava que, pelo barulho que ouviu, haviam arremessado algo no veículo.

A médica relatou que no local foi oferecido o teste do bafômetro, mas disse ao policial que havia bebido no dia anterior e que estava com medo de dar positivo. “Usei o meu direito de não fazer o teste”. O laudo da Politec constatou que a velocidade média de impacto do veículo era de aproximadamente 103 km/h.
08 de agosto de 2022 Decisão por júri popular
O Juízo da 12º Vara Criminal de Cuiabá decidiu nesta segunda-feira (8) que a médica Letícia Bortolini, ré por atropelar e matar o verdureiro Francisco Lúcio Mara, seja julgada pelo júri popular. A decisão atende a um pedido do Ministério Público Estadual.
11 de agosto de 2022 Decide recorrer da decisão pelo júri
A médica anunciou que vai recorrer da decisão que mandou que ela seja submetida a júri popular. Em um vídeo no Instagram, se disse inocente.

Na versão da acusada, o que ocorreu foi um acidente de trânsito. Ela ouviu um barulho, viu o retrovisor quebrado, mas não parou por não ter visto uma pessoa. Letícia diz ainda que seu caso é tratado de forma diferente pela sociedade por sua profissão e condição social.

“Sabem que o meu caso é diferente porque eu sou médica, principalmente porque eu sou médica, porque eu sou rica, porque eu tenho dinheiro”, diz.
26 de setembro de 2022 Suspensão do júri popular
O TJMT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso) decidiu em 1ª instância que a médica não vá a júri popular, negando o recurso do Ministério Público.

O relator da decisão, desembargador Orlando Perri, entendeu que uma das testemunhas, Bruno Duarte Lins, demonstrou comportamento não compatível, uma vez que conhecia a médica e chegou a procurar atendimento dermatológico com a mesma.

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