'Médium' no TikTok envolvia vítimas ao falar de vidas passadas em MT

Uma das vítimas disse à polícia que após o abuso, descobriu casos semelhantes envolvendo sua cunhada e outras mulheres

Segundo vítimas do advogado Luiz Antônio Rodrigues da Silva, de 49 anos, preso na última terça-feira (5), sob suspeita de abuso sexual, contaram que ele usava a abordagem sobre vidas passadas para atraí-las. Pelo menos, 7 mulheres apresentaram denúncia contra o advogado que usava a plataforma TikTok para atrair as vítimas para uma suposta ‘tenda religiosa’, de acordo com as investigações da Polícia Civil.

Luiz Antônio Rodrigues da Silva, de 49 anos, foi preso na terça-feira, mas liberado na quarta. (Foto: Reprodução)
Luiz Antônio Rodrigues da Silva diz ser médium em rede social. (Foto: Reprodução)

Pelo menos, 7 mulheres apresentaram denúncia contra o advogado que usava a plataforma TikTok para atrair as vítimas para uma suposta ‘tenda religiosa’, de acordo com as investigações da Polícia Civil.

No entanto, o suposto médium foi solto um dia após a prisão. Ele utilizou as redes sociais para anunciar que suas atividades no local permaneceriam inalteradas, e sua defesa confirmou a retomada das atividades.

O advogado de Luiz Antônio enfatizou a inocência de seu cliente, assegurando que todas as alegações serão devidamente esclarecidas durante as investigações e, se necessário, em um futuro processo judicial.

Fala da vítima

O Primeira Página entrevistou uma das vítimas, que optou por manter sua identidade em sigilo. Ela relatou que começou a frequentar o local em maio de 2022, após o contato com o suposto médium. A vítima mudou-se para o interior de Mato Grosso em dezembro do mesmo ano e passou a visitar o terreiro mensalmente.

O incidente teria ocorrido no final de abril deste ano, quando ela solicitou um ‘passe’ para transmissão de energias por imposição das mãos. Nesse momento, o suspeito a levou para uma sala de atendimento particular, onde proferiu afirmações desconcertantes sobre vidas passadas, incluindo a alegação de que ela era sua esposa em uma vida anterior e a perda de um filho. O relato continuou com a vítima descrevendo avanços não consentidos por parte do suspeito.

A mulher também contou que, após o abuso, descobriu casos semelhantes envolvendo sua cunhada e outras vítimas. O médium teria empregado táticas semelhantes durante atendimentos particulares na sala, sempre utilizando a fala sobre vidas passadas.

A vítima também contou que o médium frequentemente questionava sua orientação sexual, ciente de seu relacionamento com outra mulher, e a manipulava com afirmações sobre infidelidade e a necessidade de ficar com ele.

“Ele perguntou se já havia ficado com homens, se eu era virgem e se eu já tinha me deitado com algum homem. Ele sempre perguntava sobre a minha namorada e ficava colocando coisa na minha cabeça, dizendo que ela me traía com outro homem e que eu tinha que ficar com ele”, disse.

O caso

O médium, teve a prisão preventiva ordenada pela Justiça, devido a acusações de estupro e importunação sexual, após investigação realizada pela DEDM (Delegacia Especializada de Defesa da Mulher).

As apurações começaram quando as vítimas procuraram a Delegacia da Mulher em Cuiabá e relataram os casos de abuso.

De acordo com os depoimentos, o suspeito utilizava o Tik Tok para atrair as vítimas para seu ‘atendimento espiritual’, prometendo apoio.

Durante esses encontros, o ele abusava sexualmente das vítimas, alegando que era o espírito encarnado que realizava tais atos.

Com base nas evidências coletadas durante as investigações, o delegado Cley Celestino solicitou a prisão preventiva do suspeito, que foi concedida pela Justiça e cumprida na tarde desta terça pela Polícia Civil.

Mas, ao passar por audiência de custódia, foi liberado.

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