Mendes aciona Justiça para barrar decreto de Lula que amplia terras indígenas em MT

Para o gestor estadual, a medida afronta a legislação brasileira, uma vez que amplia, de forma significativa, a demarcação de terras indígenas no estado.

O governador Mauro Mendes (união) determinou que a Procuradoria Geral do Estado recorra ao poder judiciário para barrar os três decretos presidenciais publicados nesta terça-feira (18), os quais trata das demarcações de três erras indígenas em Mato Grosso.

Para o gestor estadual, a medida afronta a legislação brasileira, uma vez que amplia, de forma significativa, a demarcação de terras indígenas no estado.

Ele cita o artigo 13 da Lei 14.701, que proíbe a expansão de terras indígenas já demarcadas. Além disso, afirma que isso causar insegurança jurídica as pessoas que residem nas regiões demarcadas.

Governador de MT confronta potências mundiais na COP 30: “Quem preserva é quem mais sofre restrições”. - Foto: Lucas Rodrigues/SecomMT
Governo de Mato Grosso vê ilegalidade em expansão indígena e pede suspensão. – Foto: Lucas Rodrigues/SecomMT

Os atos questionados tratam das terras Uirapuru, abrange Campos de Júlio, Nova Lacerda e Conquista D’Oeste; Estação Parecis, que está situada em Diamantino; e Manoki se estende pelo município de Brasnorte.

O governador frisa que a discussão não se refere ao direto dos povos indígenas, mas sim a uma ilegalidade que pode comprometer outras questões.

“Determinei à Procuradoria-Geral do Estado que ingresse imediatamente na Justiça para barrar essa ilegalidade. Não estamos discutindo o direito dos povos indígenas, que é legítimo, mas sim um decreto que afronta a lei, cria insegurança jurídica e coloca em risco a vida de quem mora e produz nessas áreas”, afirmou o governador.

Contestação à ampliação da Terra Indígena Manoki

A principal reação do governo é voltada à Terra Indígena Manoki, tradicionalmente reconhecida com cerca de 46 mil hectares e que, segundo dados divulgados pelo governo federal, passará a ter aproximadamente 250 mil hectares.

Mendes ressalta que a região concentra dezenas de Cadastros Ambientais Rurais (CARs), muitos deles respaldados por decisões judiciais, e abriga centenas de famílias, cenário que, segundo o governador, amplia o potencial de conflito.

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Além da Manoki, o governo federal homologou a Terra Indígena Uirapuru, com 21,6 mil hectares, e a Terra Indígena Estação Parecis, de 2,1 mil hectares, ambas situadas em áreas de forte atividade agropecuária.

Mato Grosso argumenta já ter grande extensão preservada

Ao justificar a reação ao decreto, o chefe do Executivo estadual destacou que Mato Grosso já possui 73 terras indígenas demarcadas, totalizando cerca de 15 milhões de hectares, o equivalente a 16% do território estadual.

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Ele também lembrou que cerca de 60% da área do estado permanece preservada, percentual que, segundo ele, supera o de diversos países que cobram ações ambientais do Brasil.

Governador defende políticas públicas e diálogo

Mendes reforçou que o estado não questiona os direitos dos povos indígenas, mas criticou o que classificou como decisões unilaterais do governo federal em meio a um evento internacional.

Para ele, a proteção às comunidades tradicionais deve vir acompanhada de políticas públicas efetivas em saúde, educação, assistência e infraestrutura, e não apenas por meio de expansão territorial.

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O governador encerrou defendendo negociação e respeito entre os entes federativos e as populações envolvidas, afirmando que decretos publicados sem debate não representam avanço.

“Mato Grosso faz a sua parte. Preserva, produz e respeita a lei. Não é criando problema para milhares de brasileiros em pleno evento internacional que vamos avançar. Queremos diálogo e respeito”, concluiu.

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