Mendonça veta gravação de encontros entre Vorcaro e defesa em presídio federal

Controlado por Vorcaro, o Banco Master registrou crescimento acelerado ao oferecer CDB com rentabilidade muito acima da média do mercado.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu proibir a gravação das conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seus advogados na Penitenciária Federal em Brasília, unidade de segurança máxima onde o empresário está preso.

A decisão foi tomada na noite de segunda-feira (9), após a defesa solicitar ao Supremo a flexibilização de algumas medidas de segurança aplicadas no presídio, regras que fazem parte do protocolo da unidade e são impostas a todos os detentos.

Vorcaro
Mendonça veta gravação de encontros entre Vorcaro e defesa em presídio federal. -Foto: Penitenciária de SP

Além de impedir a gravação dos encontros, Mendonça autorizou que os advogados realizem visitas sem necessidade de agendamento prévio e façam anotações durante as conversas com Vorcaro. A defesa também poderá levar cópias impressas dos processos que tramitam contra o banqueiro.

O ministro é relator das investigações da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes envolvendo o Banco Master.

Prisão de Vorcaro

Daniel Vorcaro foi preso na quarta-feira (4), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Inicialmente, ele estava custodiado na Penitenciária de Potim, no interior de São Paulo, e foi transferido para a Penitenciária Federal em Brasília na sexta-feira (6).

No ano passado, o empresário também chegou a ser alvo de um mandado de prisão no âmbito da operação, mas obteve liberdade provisória mediante o uso de tornozeleira eletrônica.

A nova prisão foi decretada após a análise de mensagens encontradas no celular de Vorcaro, apreendido na primeira fase da investigação. De acordo com os investigadores, nas conversas, o banqueiro teria feito ameaças a jornalistas e a outras pessoas que contrariaram seus interesses.

Fraudes bilionárias

A Operação Compliance Zero investiga fraudes bilionárias no Banco Master, que teriam provocado um rombo estimado em até R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir investidores. Mais de 1,5 milhão de clientes foram afetados.

Controlado por Vorcaro, o Banco Master registrou crescimento acelerado ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDB) com rentabilidade muito acima da média do mercado.

Segundo as investigações, para sustentar esse modelo, o banco passou a assumir riscos elevados e a estruturar operações que inflavam artificialmente o balanço da instituição, enquanto a liquidez real — ou seja, o dinheiro disponível para ressarcir investidores — se deteriorava.

Diante da situação, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master em novembro de 2025. A mesma medida foi aplicada à gestora de investimentos Reag e ao Will Bank, em janeiro deste ano.