Motoristas envolvidos em racha com morte em Campo Grande vão a júri
Depois de ouvir diversas testemunhas e os próprios réus, analisar laudos, o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri decidiu mandar os réus a julgamento por um homicídio e cinco tentativas de homicídio
Os dois motoristas envolvidos no racha que terminou com o acidente que matou Roberta Costa Coelho aos 26 anos, em abril do ano passado, vão a júri popular. A decisão é do juiz Carlos Alberto Garcete de Almeida, da 1ª Vara do Tribunal do Júri.
O crime aconteceu na avenida Júlio de Castilho, região do Jardim Panamá.
Roberta estava no carro dirigido por Willian Goes Abbade, junto com outras cinco pessoas. Naquele dia, o grupo tinha passado a noite em uma tabacaria e depois de muita conversa, decidiram continuar bebendo na casa de um deles. No caminho, no entanto, cruzaram com Olliver Richerd Ferreira Siebra, que na época conduzia um Gol.
Os carros se emparelharam e começaram a disputa de racha. Foi pouco mais de um quilômetro em alta velocidade até que Willian perdeu o controle da direção e atingiu um poste de energia da avenida. Ele estava a mais de 100 km/h. A colisão foi filmada por câmeras de segurança.
Depois de ouvir diversas testemunhas e os próprios réus, analisar o laudo da perícia e também as imagens, o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri mandou os dois motoristas para júri.
Por meio dessas considerações, bem de ver-se que há indícios suficientes para que o acusado seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, pela suposta prática dos delitos de homicídio praticado contra a ofendida Roberta Costa Coelho e de tentativa homicídio contra as vítimas Andreia da Silva Xavier, Aline da Silva Xavier, Loraine Fernandes Marcal, Jheyson Viturino e Matheus da Silva Alves, todos a título de dolo eventual, devendo eventuais teses defensivas serem apreciadas na referida oportunidade.
Trecho da decisão do juiz Carlos Alberto Garcete
Willian, segundo a decisão de Garcete, vai ser julgado pela morte de Roberta, por cinco tentativas de homicídio e por outros dois crimes: conduzir veículo com capacidade psicomotora alterada e participar, na direção de veículo, em via pública, de disputa automobilística.
Para isso, Garcete reforçou que o próprio motorista confessou ter bebido no dia do acidente e relembrou o testemunho das pessoas que viram os dois carros em alta velocidade, ultrapassando semáforos fechados. Ele também usou as imagens do velocímetro do carro, que travou em nos 100 km/h.

Já Olliver vai ao plenário por ter deixado de ajudar as vítimas do acidente (já que ele fugiu depois do acidente), por participar, na direção de veículo, em via pública, de disputa automobilística e por conduzir veículo, em via pública, sem permissão ou habilitação para dirigir – situação que foi revelado por ele mesmo ao juiz durante a fase de audiência.
Ainda não há data para o julgamento, mas os dois já foram avisados da decisão. Além disso, Garcete manteve a prisão domiciliar de Willian até o que júri seja realizado.
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