MP cita 6 cervejas, omissão de socorro e pede regime fechado para bióloga por atropelamentos na frente de boate em Cuiabá

Recurso sustenta que Rafaela Screnci dirigiu após consumir 6 cervejas, deixou de prestar socorro às vítimas e quer pena em regime fechado.

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) recorreu da sentença que condenou a bióloga Rafaela Screnci da Costa Ribeiro a 6 anos de reclusão em regime semiaberto pelo atropelamento que matou os jovens Ramon Alcides Viveiros e Myllena de Lacerda Inocêncio, na avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá, em 23 de dezembro de 2018.

O órgão defende que a pena seja aumentada e que o cumprimento da condenação passe a ocorrer em regime inicial fechado. Rafaela respondeu todo o processo em liberdade e continua solta após decisão tomada pelo Tribunal do Júri após cerca de 13 horas de julgamento, ocorrido em 23 de junho deste ano.

primeira pagina 2026 07 23T105656.043
A bióloga Rafaela Screnci chorou parte do tempo no júri, mas ficou em silêncio diante da promotoria. – Foto: Josi Dias/TJMT

No recurso de apelação, o promotor de Justiça Rodrigo Ribeiro Domingues sustenta que a pena aplicada ficou abaixo da gravidade dos crimes praticados e que argumentou por falhas na dosimetria da condenação.

Inicialmente denunciada por dois homicídios e uma tentativa de homicídio, Rafaela foi pronunciada para ser julgada pelo Tribunal do Júri. No entanto, durante a sessão, os jurados desclassificaram os crimes dolosos contra a vida para homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.

Esse fator contribuiu para a redução da pena aplicada, o que é contestado pelo MPMT.

Os jovens Myllena de Lacerda Inocêncio e Ramon Alcides Viveiros faleceram após o atropelamento. Já a terceira vítima, Hya Giroto Santos, sobreviveu com sequelas. - Fotos: Reprodução.
Os jovens Myllena de Lacerda Inocêncio e Ramon Alcides Viveiros faleceram após o atropelamento. Já a terceira vítima, Hya Giroto Santos, sobreviveu com sequelas. – Fotos: Reprodução.

MP aponta embriaguez extrema

O Ministério Público argumenta que a culpabilidade da condenada extrapola o padrão previsto para esse tipo de crime, principalmente pelo elevado grau de embriaguez antes de assumir a direção do veículo.

Segundo o promotor, testemunhas relataram que Rafaela ingeriu ao menos 6 cervejas, conforme registro de comanda em uma boate, antes de dirigir e passar na frente de outra casa noturna onde ocorreu o atropelamento na Avenida Isaac Póvoas.

O MP afirma ainda que ela chegou a passar mal e vomitar dentro da primeira boate em razão da embriaguez, mas, mesmo assim, decidiu dirigir. Após o atropelamento, conforme o recurso, Rafaela foi presa pela Polícia Militar e voltou a passar mal dentro da viatura.

Circunstâncias do atropelamento

De acordo com a Promotoria, as vítimas foram arremessadas e arrastadas por vários metros em razão da violência do impacto. O MP afirma que uma das jovens morreu instantaneamente e que Rafaela sequer percebeu que havia atingido 3 pessoas.

Ainda segundo a apelação, mesmo após o impacto, a motorista não freou nem interrompeu a marcha do veículo, passando com as rodas traseiras sobre os corpos de duas vítimas. O carro só teria parado após intervenção de uma testemunha.

Câmera de segurança registra momento do atropelamento em frente a boate. – Vídeo: Reprodução

O órgão ministerial também contesta o entendimento da sentença que considerou haver contribuição das vítimas para o acidente, com base em laudo pericial sobre a forma como realizavam a travessia da via.

Para o promotor, o fator determinante para o resultado foi a decisão da motorista de dirigir após consumir grande quantidade de álcool. Diante disso, o Ministério Público pediu que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reforme a sentença para:

  • aumentar a pena-base com a valoração negativa da culpabilidade e das circunstâncias do crime;
  • afastar qualquer reconhecimento de culpa concorrente das vítimas;
  • reconhecer a causa de aumento de pena por omissão de socorro, prevista no artigo 302, § 2º, inciso III, do Código de Trânsito Brasileiro;
  • condenar Rafaela também pelo crime de embriaguez ao volante (artigo 306 do CTB), em concurso material;
  • fixar o regime inicial fechado para cumprimento da pena.

Segundo o promotor, as alterações são necessárias porque a condenação atual “foi fixada em patamar inferior ao efetivamente reclamado pela gravidade dos crimes praticados”.

Até o momento o recurso ainda não foi analisado e segue no aguardo de decisão do TJMT. O Primeira Página busca o contato da defesa de Rafaela para um posicionamento ou manifestação sobre o caso. Espaço segue aberto.

Leia mais

  1. O que levou bióloga à condenação por matar 2 pessoas atropeladas em frente a boate em Cuiabá e o que contou a seu favor

  2. Bióloga é condenada por duas mortes após 13 horas de julgamento em Cuiabá mas não irá para o regime fechado

  3. Bióloga se cala em júri sobre 2 mortes em frente a boate e defesa culpa vítimas por atropelamento

  4. Começa julgamento de bióloga que atropelou e matou jovens na frente de boate em Cuiabá

  5. Caso Valley: MP defende que ré seja julgada pelo tribunal do júri

  6. Justiça condena motorista a pagar mais de R$ 1 milhão à família de vítima de acidente

FALE COM O PRIMEIRA PÁGINA

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Leia também em Justiça!

  1. Jazbik na DEAM

    Após cateterismo de urgência, cardiologista suspeito de feminicídio tem audiência adiada

    Agora, a primeira audiência sobre a morte de Fabiola Marcotti será realizada...

  2. mpresa perde contrato no Aeroporto de após irregularidades

    Empresa de transporte é retirada de aeroporto após abordar passageiros e descumprir normas do consumidor

    Prestadora foi retirada do aeroporto após Ministério Público identificar irregularidades na abordagem...

  3. primeira pagina 2026 10 14T171832.253

    Cidade de MT cria comissão para tentar impedir extinção de comarca e manter unidade judiciária

    A Prefeitura de Dom Aquino (MT) instituiu uma comissão para mobilizar autoridades...

  4. Foto 3x4 de candidata eliminada de seletivo tinha sinais de IA e estava fora do padrão exigido pelo edital. - Foto: Ilustrativa/Pexels

    Candidata é eliminada de seletivo em MT após usar inteligência artificial em foto 3x4

    Candidata foi eliminada de seletivo em Brasnorte após comissão apontar sinais de...