MPMS refaz últimas horas de Sophia com base em perícia de celular

Laudo pericial mostra também que Christian supostamente praticava ato sexual no mesmo ambiente em que crianças estavam

Com base no laudo pericial feito no celular de Christian Campoçano, padrasto de Sophia Ocampo, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) fez o cronologia dos fatos ocorridos nas últimas 24 horas de vida da menina. Também apontou práticas sexuais realizadas na presença das crianças da casa.

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Sophia e Christian (Foto Redes Sociais)

O roteiro foi feito após o juiz responsável pelo caso, Aluízio Pereira dos Santos, pedir que o órgão se manifestasse quanto às contrarrazões apresentadas por Christian e a mãe da criança, Stephanie de Jesus, nas quais as defesas pedem que ambos sejam inocentados.

A dupla esta presa desde 27 de janeiro de 2023 acusados de matar a garota. O julgamento estava marcado para março deste ano, porém foi retirado de pauta após recursos dos réus. Agora, com a manifestação do MPMS, o magistrado deve emitir nova decisão em breve.

O último dia de Sophia

A promotora Ana Lara Camargo de Castro, contesta a versão dada pelo padrasto ao juiz durante audiência de instrução realizada no dia 5 de dezembro. Na ocasião, ele disse que estava dormindo durante todo o ocorrido com a enteada e apenas foi acordado pela então companheira quando a mesma estava de saída para ir à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Coronel Antonino.

Conforme a cronologia montada, por volta das 14h30 do dia 25 de janeiro, Christian enviou mensagem para Stephanie dizendo que a internet da residência em que moravam estava lenta, portanto não conseguia jogar jogos on-line, fato que o deixou irritado.

Neste momento, Sophia estaria chorando, ele ordenou que ela deitasse, mas, em suas palavras, foi ignorado, gerando o estopim que resultou nas agressões que iniciavam o fim da vida da criança, a qual ele classificou na mensagem trocada com a ré como “endemoniada”.

Para a promotora, “tal conclusão se dá” porque algumas horas depois de relatar seu estresse, o réu novamente enviou mensagens, desta vez noticiando o que seriam “os primeiros sintomas da fatal lesão sofrida por ela (Sophia)”.

Por voltas das 18h, a vítima começou a vomitar e ter febre, segundo o padrasto, devido a menina ter “comido muito pão”. A então esposa, disse estranhar porque não era comum este quadro de saúde.

Christian, então, contou que ministrou soro e dois tipos de medicamento, além de ter dado um pano para que a menina não sujasse toda a casa, já que havia vomitado mais de 4 vezes.

“Eu acho que agora ela só vai ficar morrendo aqui”

Christian Campoçano, padrasto de Sophia

Durante a última noite de vida da menina, os réus trocaram mensagens mostrando o estado prostrado, deitada e aparentemente debilitada, “bem como como diálogos que evidenciam que Sophia teve uma piora considerável, contudo, os réus optaram por não levar para o atendimento médico e usaram meio paliativo”, explica a promotora nos autos.

Próximo a meia-noite, Stephanie, na companhia de um amigo, saiu em busca de um remédio mais potente. Retorna tempo depois e Christian vai dormir por volta das 5h até meio-dia do dia 26 de janeiro.

Por volta das 13h, ele conta em áudio a um amigo que fez “um servicinho” com Stephanie se referindo à relação sexual. Na gravação de voz é possível ouvir a menina dizendo “mamãe, está doendo”.

No mesmo diálogo, o acusado revela que a mulher queria levar a filha ao médico, mas, para ele, não adiantaria. Emenda opinando que a companheira queira mesmo pegar atestado para não ir ao trabalho.

Às 17h48 daquele mesmo dia, Christian liga para a própria mãe e diz que Sophia está convulsionando e sem respirar, por isso seria levada ao Pronto Socorro. Tempo depois, troca mensagem com Stephanie e revela preocupação com as consequências do ocorrido, avaliando que a causa da morte foi não ter ido antes à unidade de saúde.

Violência e exposição ao sexo

Na mesma peça, o MPMS aponta que dentre as mensagens recuperadas pela perícia o padrasto da pequena ensina a esposa como fazer Sophia parar de chorar, asfixiando-a no colchão.

“Dá uns tapão nela, aí você vira a cara dela pro colchão e fica segurando porque aí ela para de chorar, é sério. Parece até tortura, mas não é porque aí ela fica sem ar para chorar e para de chorar, entendeu?”.

Christian Campoçano, padrasto de Sophia

Além disso, a promotora destaca que entre o dia 19 e 20 de janeiro, uma semana antes da morte da menina, vídeo e fotos revelam “Christian semidespido e o pênis a mostra, ao que tudo indica, masturbando-se, em ambiente da casa com uma das crianças dormindo ao fundo”.

De acordo com o artigo 218-A do Código Penal Brasileiro diz que satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente menor de 14 anos, caracteriza crime com pena de dois a quatro anos de prisão.

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