Na frente do júri, réu pela morte de Danilo nega o que confessou na delegacia

Railson alegou que ele e a vítima saíram de uma boate para comprar drogas e que acabou dando um golpe mata-leão em Danilo para tentar reaver 50 reais

Durante o júri pela morte do pesquisador Danilo Cezar de Jesus, o guardador de carros Railson de Melo Ponte, 28 anos, conhecido como “Maranhão”, negou todas as acusações contra ele.

Na frente dos jurados, desdisse o que confessou na delegacia, quando admitiu ter aplicado um golpe “mata-leão” em Danilo, deixando-o caído em um terreno no Centro de Campo Grande, em meio a entulhos.

Veja trecho das declarações na DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa):

No depoimento na DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), anexado ao processo, “Maranhão”, como é conhecido, detalhou como o golpe foi aplicado.

No júri, alegou ter “inventado” essa versão sob pressão dos policiais, que o obrigaram a confessar o crime, conforme suas novas afirmações. No vídeo gravado, porém, aparece dizendo que estava bem, que os agentes de segurança compraram comida para ele, inclusive.

Declaração homofóbica

Na delegacia, logo após ser preso, ao falar da cena da morte de Danilo Cézar, aos 29 anos, Railson declarou que ele e a vítima estavam consumindo drogas e que o estudante de Mestrado na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) quis fazer um programa sexual com ele.

Depois de se referir ao estudante como “o cara lá, o gaizynho”, “Maranhão” diz ao delegado como teria agido para repelir o contato sexual. Ele faz mais de uma vez, durante o interrogatório, o gesto de golpe no pescoço da vítima.

“Eu garrei assim no pescoço dele, aí afastei ele pra lá, quando afastei ele pra lá, dei um empurrão nele… eu achei que ia só desmaiar, eu deixei ele lá, peguei o celular e fui embora”.

Railson de Melo Ponte em depoimento à DHPP
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“Maranhão” acompanha depoimento de delegado (Foto: Cristiano Arruda)

“Eu não queria matar, só tentei desmaiar ele, pra mim pegar meu dinheiro e pra mim pegar minha grana. Como foi rápido, eu só catei o celular e saí correndo. Na verdade eu nem sabia que esse cara tinha morrido”, afirma em outro momento.

Apesar de ter alegado que foi contratado por Danilo para um programa sexual, o réu desmentiu a informação, mesmo após ser confrontado com provas, como o estado do corpo de Danilo foi encontrado, apresentando indícios de fluidos sexuais no laudo pericial.

O delegado José Roberto de Oliveira Junior, da DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), foi uma das testemunhas ouvidas. Ele afirmou que, “Maranhão” confessou estar no local com Danilo e novamente afirmou ter aplicado o golpe no pesquisador.

Railson alegou que Danilo o assediou no terreno. “A todo momento ele se referia à vítima de maneira pejorativa”.

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Maranhão sendo ouvido durando Júri (Foto: Cristiano Arruda)

O corpo de Danilo foi encontrado em posição fetal, com as calças meio baixadas, caído em um buraco. À primeira vista, era possível ver lesões na face em decomposição, escoriações compatíveis com a prática de sexo e hematoma na garganta (típico de golpe mata-leão).

Railson alegou que saíram da boate para comprar drogas e, ao perceber que Danilo não tinha os 50 reais como prometido, acabou dando um golpe mata-leão na vítima.

O corpo de Danilo foi encontrado com 20 reais e documentos da faculdade no bolso.

O celular de Danilo não foi encontrado, apesar de Railson ter dado a localização de onde o mesmo teria sido jogado.

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Júri

A primeira testemunha ouvida foi a mãe do pesquisador, Maria Lúcia de Jesus. Ela conta que o filho não tinha o hábito de sumir ou sair sem avisar. No dia anterior ao crime, avisou que sairia com uns amigos, mas não retornou ao amanhecer.

O sinal de alerta foi acendido quando uma amiga do filho enviou mensagem perguntando se ele havia chegado bem em casa. Quando se deu conta do desaparecimento, foi direto à delegacia registar boletim de ocorrência.

O juiz responsável pelo caso é o titular da 2ª Vara do Tribunal do Júri, Aluízio Pereira dos Santos.

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