Órgãos terão de explicar falhas no combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé

Cobrança ocorre após o Ministério Público Federal (MPF) constatar que medidas determinadas pela Justiça para combater o garimpo ilegal ainda não foram efetivamente executadas. O Governo Federal afirma que o combate está sendo feito.

O Governo Federal, a Agência Nacional de Mineração (ANM), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) terão que prestar explicações, em até 15 dias, sobre a falta de articulação entre os órgãos e o não cumprimento de medidas determinadas pela Justiça para combater o garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso.

garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso.
Órgãos federais vão ter que prestar explicação por possível falha no combate ao garimpo na Terra Indígena Sararé. – Foto: Reprodução

A cobrança foi publicada pelo Procurador da República do Ministério Público Federal (MPF), André Luiz Porreca, nesta quarta-feira (8), e ocorre após a instauração de um procedimento de 2022, que cobrava ações de combate ao garimpo na área.

Segundo a portaria, foi constatado que os órgãos responsáveis não comprovaram a efetiva execução das obrigações impostas pela Justiça.

Garimpeiros são procurados após confronto com Ibama na Terra Indígena Sararé. | Foto: Ibama
Garimpo ilegal avança pela Terra Indígena Sararé e MPF cobra cumprimento de ações. – Foto: Ibama

De acordo com o MPF, o procedimento também busca dar apoio à Procuradoria da República em Cáceres na definição de estratégias para tornar efetivas as medidas de combate ao garimpo ilegal na região.

“Após o cumprimento das providências iniciais, voltem conclusos para novas deliberações”, finaliza a portaria.

Posicionamento do governo

Recentemente, o Governo Federal afirmou que a força-tarefa de combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, reduziu em 97% os alertas de novos desmatamentos na área. Segundo o governo, em mais de 90 dias de operação, os registros de novos focos de garimpo caíram de 226, nos 90 dias anteriores à ação, para apenas seis.

O governo também informou que, no mesmo período, a área desmatada identificada por alertas passou de 1 km² para 0,05 km². A operação, coordenada pela Casa Civil, teve como foco a desintrusão do território e o desmonte da estrutura utilizada pelo garimpo ilegal.

De março a junho, a força-tarefa resultou na apreensão e destruição de equipamentos, produtos e estruturas usadas na atividade criminosa. Conforme o governo, o prejuízo imposto aos garimpeiros foi estimado em R$ 111,5 milhões. Entre os itens apreendidos ou inutilizados estão quase 4 toneladas de explosivos, 200 acampamentos, 829 motores, 31 escavadeiras hidráulicas e 105 motocicletas. Ao todo, 72 pessoas foram presas e 160 conduzidas à delegacia da Polícia Federal.

A operação contou com a participação da Casa Civil, Ministério dos Povos Indígenas, Ibama, Força Nacional, Funai, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Federal, Exército Brasileiro, Censipam, Abin, Anac, ANTT e ANP, entre outros órgãos. A Terra Indígena Sararé abriga 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias, e tem sido afetada nos últimos anos pela exploração ilegal de ouro.

O Governo Federal afirmou ainda que a nova etapa da atuação na área será voltada à manutenção de ações preventivas para desestimular a retomada do garimpo ilegal. O trabalho será orientado por cinco eixos: prevenção, monitoramento, atuação de urgência, segurança dos servidores e governança.

Além disso, o governo de Mato Grosso, em parceria com o Ministério Público Estadual, deve construir uma base operacional integrada em Pontes e Lacerda, em ponto considerado estratégico para acesso à Terra Indígena Sararé. A estrutura servirá de apoio às forças federais e estaduais, com investimento previsto de mais de R$ 2 milhões.

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