'Os dois têm que pagar', diz irmão de bancária morta por marido de juíza afastada pelo TJMT
Giovane sustenta que não há dúvidas de que a magistrada interferiu diretamente no andamento do processo, tanto na esfera criminal quanto na disputa pela guarda da filha de Leidiane com o suspeito.
“Eles dois têm que pagar”. Foi com essa afirmação que Giovane André de Souza Barbosa, irmão da bancária Leidiane Souza Lima, morta a tiros em janeiro de 2023, reagiu às recentes decisões judiciais envolvendo o caso. Para ele, tanto o empresário Antenor Alberto de Matos Salomão, acusado do crime, quanto a juíza Maria das Graças Gomes da Costa, esposa do réu, devem ser responsabilizados.
Giovane sustenta que não há dúvidas de que a magistrada interferiu diretamente no andamento do processo, tanto na esfera criminal quanto na disputa pela guarda da filha de Leidiane com o suspeito. “Sim, os dois têm que pagar. Os dois são tudo da mesma laia. Ela é até pior do que ele”, afirmou.

Segundo o irmão da vítima, não há dúvidas de que a atuação da juíza ultrapassou os limites institucionais. Ele afirma que a interferência ocorreu de forma contínua e em diferentes frentes.
“Não, eu não acredito não. Eu tenho certeza de que ela interferiu. Na guarda e na condenação dele. Ela interferiu dos dois lados. Na realidade, ela já vem interferindo na prisão dele já há muito tempo. Porque ela tirou ele da cadeia para casar. Então, isso já vem acontecendo há muito tempo. Não é novidade para a gente”, completou.
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O empresário chegou a ser preso em fevereiro de 2023, mas obteve liberdade provisória pouco tempo depois, mediante medidas cautelares. Somente em agosto de 2025 a prisão preventiva voltou a ser decretada, e ele segue detido desde então.
Caso reacendeu após afastamento da juíza
As declarações do irmão da vítima ocorrem em meio ao afastamento cautelar da juíza Maria das Graças, determinado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, após reclamação disciplinar apresentada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso ao Conselho Nacional de Justiça.
O Ministério Público aponta indícios de interferência indevida da magistrada em processos sensíveis relacionados ao feminicídio e à guarda da criança, além de possíveis contatos com o acusado em momentos críticos da investigação. A juíza nega irregularidades, e sua defesa afirma que o afastamento é administrativo, cautelar e sem qualquer imputação criminal.
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Guarda da criança trouxe alívio à família
Giovane relatou que, apesar do sofrimento prolongado, a família vive agora um momento de alívio após a concessão da guarda provisória da filha de Leidiane à avó materna.
“Graças a Deus, hoje ela tá bem. Tá com a gente, tá com a minha mãe. A gente conseguiu a guarda provisória. Hoje a gente respira um pouco melhor”, afirmou.
A disputa pela guarda foi um dos pontos centrais levantados pelo Ministério Público na reclamação disciplinar, que apontou risco à integridade emocional da criança enquanto permanecia sob os cuidados da magistrada.
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“A chave está virando”
Para o irmão da vítima, as recentes decisões judiciais indicam uma mudança no rumo do caso, após quase três anos de luta da família por respostas.
“Não é novidade para a gente, mas graças a Deus, a chave tá virando”, concluiu.
O processo criminal que apura o feminicídio de Leidiane segue em tramitação, assim como o Procedimento Administrativo Disciplinar que analisa a conduta da magistrada. As apurações continuam sob acompanhamento do Judiciário e do CNJ.
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