PMs são denunciados por ocultar arma usada na morte de Renato Nery
Ministério Público aponta que policiais forjaram confronto para obstruir investigações; grupo já responde por homicídio na Justiça comum
Quatro policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) à Justiça Militar sob a acusação de terem implantado a arma usada no assassinato do advogado Renato Nery, em um suposto confronto forjado, com o objetivo de atrapalhar as investigações.

Na denúncia, os promotores classificam os PMs como parte de um “núcleo de obstrução” do crime ocorrido em julho de 2024, em frente ao escritório da vítima, em Cuiabá.
Segundo o MPMT, os sargentos Jorge Rodrigo Martins, Wailson Alessandro Medeiros Ramos e Leandro Cardoso, além do cabo Weckcerlley Benevides de Oliveira, são suspeitos de alterar a cena do crime, incluindo uma arma falsa na dinâmica do suposto confronto com assaltantes.
A perícia confirmou que não houve troca de tiros no local. Nenhuma perfuração foi identificada na viatura policial nem no carro onde estavam os supostos criminosos. As munições encontradas eram de uso da Rotam, unidade em que os denunciados atuavam à época.
Além de organização criminosa, os PMs respondem por:
- abuso de autoridade,
- porte ilegal de armas de uso restrito,
- falsidade ideológica, por omissão e distorção dos fatos em depoimentos oficiais.
De acordo com a denúncia, os quatro também combinaram versões dos depoimentos por meio de um grupo de WhatsApp criado logo após o fato. O grupo foi batizado com o nome e a cor do carro furtado que deu origem à ocorrência.
Os policiais já são réus na Justiça comum por homicídio qualificado e duas tentativas de homicídio relacionadas ao caso. Eles foram presos no dia 8 de março, durante uma das fases da operação que investiga o assassinato de Renato Nery, mas foram soltos no mês passado por habeas corpus e atualmente respondem em liberdade, com medidas cautelares, incluindo retorno ao trabalho.
O Ministério Público também pediu à Justiça Militar a prisão preventiva dos acusados, além da suspensão das funções, do porte e da posse de armas.
A reportagem entrou em contato com as defesas de Jorge, Wailson e Leandro, mas não obteve retorno. Não foi possível localizar a defesa de Weckcerlley Benevides.
🔍 Caso Renato Nery – Linha do tempo do crime
⚰️ A morte
Renato Nery, advogado de 72 anos e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB-MT), foi assassinado a tiros ao chegar de carro no escritório dele, em 6 de julho de 2024, em Cuiabá.
O autor dos disparos, que usava uma moto vermelha, foi flagrado por câmeras de segurança antes e durante o crime.
Renato Nery foi socorrido após ser baleado, passou por cirurgia e morreu no dia seguinte.
🧠 Os mandantes
Os empresários de Primavera do Leste, César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos, mulher dele, são apontados como os mandantes da morte do advogado e estão presos desde o dia 9 de maio de 2025.
- A principal linha de investigação aponta uma disputa por terras como motivação para o crime
- O casal já tinha sido alvo da polícia anteriormente e usava tornozeleira eletrônica antes da prisão
- Os empresários teriam pago R$ 200 mil ao sargento da Polícia Militar Heron Teixeira para cometer o crime, segundo a polícia.
🔫 Os executores
Heron Teixeira é acusado de contratar o caseiro Alex de Queiroz Silva para executar o advogado.
Além de Heron e Alex, a polícia prendeu 8 suspeitos de participação no plano de execução de Renato Nery 6 PMs. São eles:
- Leandro Cardoso
- Wailson Alesandro Medeiros Ramos
- Jorge Rodrigo Martins
- Wercerlley Benevides de Oliveira
- Jackson Pereira Barbosa
- Nome não divulgado
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