'Polícia ajuda polícia': policial que agrediu mulher e zombou de denúncia é condenado
Personal trainer denunciou policial após agressões físicas e ameaças
O investigador da Polícia Civil Sanderson Ferreira de Castro Souza, de 42 anos, foi condenado a 15 anos de prisão por violência doméstica pela agressão da ex-mulher, a personal trainer Débora Sander, de 43 anos, em setembro do ano passado. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (2) pela advogada dela, Karime Dogan. Cabe recurso da decisão.

Sanderson foi condenado a cumprir a pena em regime fechado, devido à gravidade do caso, de acordo com a defesa da vítima.
O investigador foi denunciado no dia 19 de setembro pelas agressões e, à época, a vítima chegou a viajar para o interior do estado por medo.
Entenda o caso

O investigador da Polícia Civil Sanderson Ferreira foi preso, no dia 1° de setembro de 2024 durante investigação da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.
À época, Débora contou que estava se relacionando com o investigador havia dois anos e que o relacionamento tinha violência psicológica. A situação piorou ainda mais e ela começou a ser agredida fisicamente, em agosto de 2024. Além das agressões contra ela, o policial teria feito ameaças ao filho dela.
Com medo, a vítima disse ainda que, quando tentou denunciar pela primeira vez, o ex teria dito que “polícia ajuda polícia” e que a denúncia dela não o afetaria. Por isso, ela se sentiu coagida pelos outros policias que tentavam convencê-la de não realizar a denúncia e voltar para casa “para acobertar o acontecimento”.
Débora obteve medida protetiva de urgência contra Sanderson, que está afastado desde 11 de setembro, dias após a prisão, conforme ato publicado no Diário Oficial.
A advogada disse que o caso representa uma vitória para todas as mulheres.
“Como advogada em defesa de Débora e de tantas outras mulheres vítimas de violência doméstica e sexual, afirmo que essa condenação representa justiça não apenas pela brutalidade que Débora sofreu, mas também por todas as mulheres que são violentadas diariamente e que, muitas vezes, não conseguem ver seus agressores responsabilizados. É uma vitória da dignidade, da coragem e da luta coletiva por um sistema de justiça que verdadeiramente proteja as mulheres”, explicou.
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