Policiais militares são absolvidos 10 anos após desaparecimento de jovem em Rosário Oeste
Após dois dias de julgamento e 23 depoimentos, jurados concluíram que não havia provas da ocorrência do crime; corpo nunca foi encontrado.
Os policiais militares Odjarma Jesus de Almeida, Jucival Claro da Silva e Luan Antoniel da Cruz Gomes, acusados do desaparecimento e morte de Ronaldo Cargas da Cunha, de 25 anos, foram absolvidos pelo Tribunal do Júri nesta sexta-feira (10). O julgamento iniciado na quinta-feira (9) durou dois dias.
Os jurados decidiram pela absolvição por falta de provas de que o crime havia ocorrido. Ronaldo desapareceu após uma abordagem policial no dia 13 de dezembro de 2016, no Bairro Nossa Senhora Aparecida, em Rosário Oeste (MT). O corpo do rapaz nunca foi encontrado.

O júri iniciou às 8 horas de quinta-feira (9) e encerrou às 15h30 dessa sexta-feira (10). Ao longo dos dias foram ouvidas 23 testemunhas. Os três militares deram suas versões e responderam às perguntas da acusação, da defesa e do juiz do caso.
Parte das testemunhas de defesa elencadas para prestar depoimento no júri eram policiais militares e civis. Já as testemunhas de acusação, elencadas pelo promotor de Justiça Lysandro Alberto Ledesma, foram cinco, entre elas a avó de Ronaldo, Ana Maria da Silva, e o delegado de polícia Fabiano Pitoscia.
Após dois dias de júri, a juíza Marília Augusto de Oliveira Plaza leu a sentença com o entendimento dos sete jurados, que não reconheceram os três policiais como autores do crime.
Ao término da sessão, o Ministério Público e a defesa técnica manifestaram que não desejam recorrer da decisão. Com isso, o processo foi declarado com trânsito em julgado.
Os três réus responderam ao processo em liberdade e ainda atuam na função, com exceção de Odjarma Jesus de Almeida, que foi transferido para a inatividade mediante reserva remunerada, em 23 de fevereiro de 2023, após 30 anos, 10 meses e 4 dias de serviço.

Ao Primeira Página os advogados Marciano Xavier das Neves, Nilton Marcos Nunes Pereira e Robson de Oliveira Cardoso informaram que o veredito do júri reafirmou a tese da defesa de que os três policiais não tiveram participação no crime.
Confira a nota:
Após quase uma década sob o peso de uma acusação injusta, a verdade prevaleceu. O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri da Comarca de Rosário Oeste absolveu, nesta sexta-feira (10), Odjarma Jesus de Almeida, Jucival Claro da Silva e Luan Antoniel da Cruz Gomes, acusados de homicídio qualificado e ocultação de cadáver pelo desaparecimento de Ronaldo Vargas da Cunha, ocorrido em dezembro de 2016.
O veredicto confirmou a tese sustentada pela defesa desde o início das investigações: os réus não tiveram participação no desaparecimento da vítima. Não havia provas capazes de ligá-los aos crimes imputados. Durante mais de nove anos de processo, os acusados compareceram aos atos, colaboraram com as diligências e aguardaram o julgamento com serenidade e confiança na Justiça.
A defesa reafirma sua confiança no Tribunal do Júri e destaca que a absolvição é resultado da análise criteriosa das provas produzidas nos autos. Não se trata de favor, mas do reconhecimento da inocência que sempre foi defendida ao longo do processo.
Desaparecimento, gritos e viatura
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), na madrugada de 13 de dezembro de 2016, em Rosário Oeste, os policiais militares Odjarma Jesus de Almeida, Jucival Claro da Silva e Luan Antoniel da Cruz Gomes teriam matado o jovem Ronaldo Vargas da Cunha, de 25 anos.
No local da abordagem, a bicicleta da vítima foi encontrada abandonada e duas testemunhas moradoras da proximidade disseram ter visto o rapaz entrar em uma viatura. Outra testemunha afirmou que ouviu um grito e um som de fechamento de um porta-malas.
Familiares relataram que o jovem nunca mais atendeu ligações de celular.

A investigação da Polícia Civil iniciou com o desaparecimento de Ronaldo. Com base em dados do trajeto da viatura, as investigações indicaram que, após a abordagem, o veículo seguiu pela MT-010, em uma estrada na Zona Rural.
O rapaz teria sido morto em um matagal. A conclusão teve por base o período em minutos em que a viatura permaneceu no local. Na sequência, o veículo teria parado alguns minutos na ponte sobre o Rio Cuiabá. Para a Polícia Civil, o corpo do rapaz teria sido jogado no rio.
Policiais negam crime
Durante o processo, os policiais declararam que, no dia 13 de dezembro de 2016, faziam rondas em Rosário Oeste quando receberam uma chamada, via rádio, informando sobre um possível furto de baterias de caminhões na BR-163.
No trajeto, abordaram um ciclista, mas, após uma revista rápida, não encontraram nada suspeito e o liberaram, seguindo para a ocorrência. Cerca de cento e cinquenta metros adiante, encontraram uma bicicleta abandonada.
Segundo os policiais, como eram comuns furtos rápidos na região, desceram da viatura para verificar, mas não encontraram suspeitos ou vítimas. Permaneceram no local cerca de 4 a 5 minutos e seguiram em frente.

Conforme os militares, na sequência, não encontraram nenhuma movimentação suspeita na BR-163 e continuaram a patrulha por outros bairros. No caminho, um motoqueiro os informou sobre um carro suspeito próximo a uma fazenda.
Eles seguiram até o local, percorreram uma estrada de terra, mas não encontraram nada e decidiram retornar para a cidade. Depois, foram ao quartel para tomar água e retomaram as rondas normais.
O trio afirmou que não colocou ninguém na viatura naquele dia e que não conhecia o desaparecido.
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