Policial que estuprou presa em delegacia é condenado e perde o cargo

Além de pegar 13 anos de prisão pelo estupro, o réu ainda foi sentenciado a sete meses de detenção por tentar comprar o silêncio de outros presos com um celular

Mais de 13 anos de prisão e a perda do cargo. Essa foi a condenação de Elbeson de Oliveira, de 41 anos, preso desde abril por estuprar uma detenta de 28 anos dentro da Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia – cidade a 70 quilômetros de Campo Grande. Além do abuso, o agora ex-policial foi sentenciado a sete meses de detenção por entregar celulares aos presos da unidade em uma tentativa de comprar o silêncio deles sobre o crime.

Sala lilás estupro detenta
Sala onde detenta foi vítima de abuso sexual (Divulgação)

Elbeson entrou para a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul em 2015 e na época do crime, atuava como investigador na delegacia de Sidrolândia. Durante os plantões, ficava sozinha da unidade. Foram nesses dias que ele tirou a mulher da cela, a levou para a “Sala Lilás”, local pensado para abrigar as mulheres vítimas de violência doméstica. Lá, a detenta foi abusada, mais de uma vez.

Para não ser denunciado pela vítima, o então investigador fez ameaças de morte e chegou a dizer que ninguém notaria se ele “sumisse” com ela. Em um dos dias em que foi abusada, a detenta voltou chorando para a cena e depois de ser pressionada pelos presos de outras celas, contou da violência que sofreu nas mãos do investigador.

Na tentativa de calar os presos, o então investigador entregou um aparelho de celular como tentativa de fazerem eles silenciarem sobre o crime. Não deu certo e junto, os internos contaram para a delegada da unidade o que a colega havia sofrido.

Elberson foi preso e passou a ser investigado pelo estupro. Imagens de câmera de segurança provaram que ele retirava a mulher da cela sem qualquer justificativa.

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A condenação

Na semana passada, o agora ex-policial foi julgado. Pelo estupro e pela importunação sexual contra a interna, ele foi condenado a 13 anos, 07 meses e 15 dias de reclusão. Ele ainda terá que pagar uma indenização de R$ 10 mil pelos danos que causou a mulher.

Durante o julgamento, o magistrado não considerou os crimes de violência psicológica e tortura, então, por esses crimes, Elbeson foi absolvido. Em compensação, condenou o investigador à pena de sete meses de detenção por favorecimento real.

A decisão mais importante, no entanto, foi a perda do cargo. Junto com a sentença, o juiz determinou que o réu seja afastado permanecimento da corporação. Ele já não atuava como investigador desde sua prisão, em abril deste ano.

Tanto a defesa de Elbeson, feita pelo advogado Márcio Messias de Oliveira Sandim, quanto o Ministério Público Estadual entraram com recurso contra a decisão, mas ainda não há resposta da justiça. A equipe de reportagem também tentou contato com o defensor do ex-policial, sem sucesso.

A vítima estava preso por tráfico de drogas, mas depois do crime, foi colocada em liberdade e voltou para sua cidade natal, na Paraíba, a cerca de 3 mil quilômetros de distância da cidade em que foi violentada.

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