Processo de militares acusados de envolvimento na morte de Renato Nery será usado pelo Conselho de Disciplina da PM
Bope solicitou acesso aos autos para instruir Conselho de Disciplina que apura a conduta funcional dos militares denunciados pelo Ministério Público.
A Justiça de Mato Grosso autorizou o envio do processo em que os militares Heron Teixeira Pena Vieira, Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Pereira respondem pelo homicídio do advogado Renato Nery ao Conselho de Disciplina da Polícia Militar. Os documentos devem subsidiar um procedimento administrativo que apura a conduta dos três.
O pedido foi feito pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT) por meio de ofício encaminhado à Justiça e o envio da ação penal foi autorizado na quarta-feira (15), pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá.

Conforme a decisão, o objetivo é utilizar as informações constantes no processo criminal para instruir o Conselho de Disciplina instaurado pela Portaria nº 38/CD/CORREGPM/2025.
Ao analisar o pedido, o magistrado entendeu que a Administração Militar possui interesse legítimo em acessar elementos de prova constantes da ação penal para apurar eventual responsabilidade funcional dos policiais, destacando que a jurisdição disciplinar militar é autônoma em relação à jurisdição penal comum.
Na decisão, Marcos Faleiros afirmou que não há impedimento para o compartilhamento dos autos, uma vez que a finalidade é restrita à instrução do Conselho de Disciplina e há compromisso expresso de preservação do sigilo das informações. Com isso, o juiz deferiu o pedido do Bope.

Homicídio de advogado em Cuiabá
Heron Teixeira Pena Vieira, Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Pereira atualmente estão presos e são apontados por denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) como acusados de integrar organização que planejou e executou a morte do advogado Renato Gomes Nery.
Na última quarta-feira (15) o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, foi condenado pelo Tribunal do Júri a 33 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado, pelo assassinato do advogado, cometido em 5 de julho de 2024.

Ele foi o primeiro de seis réus, incluindo os três policiais militares, a ser julgado. Heron é acusado pelo MPMT de ser o intermediador que contratou Alex para executar Nery; enquanto Ícaro teria fornecido a arma e Jackson coordenado o crime e realizado pagamentos.
Para o MP, o casal César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos são apontados como os mandantes do assassinato, motivado por uma disputa judicial envolvendo mais de 12 mil hectares de terras em Novo São Joaquim (MT).

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