Promotor e advogado trocam ofensas em júri sobre morte de PM: 'Lava sua boca'

Investigador acusado de matar PM reproduziu movimentos da luta corporal diante dos jurados; sessão teve troca de provocações entre defesa e acusação.

O clima está tenso no terceiro dia do júri popular que apura a morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, nesta quinta-feira (14), em Cuiabá. Após o intervalo para o almoço, o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves foi interrogado em um momento marcado por tensões na reconstituição da luta corporal com a vítima e também um bate-boca entre defesa e acusação.

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Momento em que o réu simulou a briga que resultou na morte de policial em frente ao júri. – Foto: Reprodução

Durante a oitiva, o réu voltou a sustentar a versão de que agiu em legítima defesa. Ao detalhar a briga ocorrida dentro da conveniência localizada na Praça 8 de Abril, ele se voluntariou a simular os movimentos da luta corporal travada com o policial militar e afirmou que tentava impedir que a arma da vítima fosse usada contra ele.

Na encenação feita diante dos jurados, Mário relatou que, em determinado momento, caiu no chão enquanto segurava o revólver calibre 38 do militar. Segundo ele, a vítima estaria o enforcando quando decidiu sacar sua própria arma.

Enquanto reproduzia os movimentos da suposta luta, o advogado de defesa, Claudio Dalledone, fez comentários durante a demonstração, chegando a sugerir que o promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins estava armado. “Você está com uma arma ilegal aí?”, disse Claudio.

Em seguida, após o réu se ajoelhar e ficar em quatro apoio no chão, o promoter age de forma irônica e acaba questionado pelo advogado de defesa. “Quem está de quatro é seu cliente”, comentou o promotor.

Veja o vídeo do momento:

O registro mostra o momento que o promotor responde com ironia a ação do réu de simular a briga. – Vídeo: Reprodução

Bate-boca no tribunal

O clima ficou ainda mais acirrado quando os dois passaram a trocar acusações pessoais diante dos jurados. Em outro momento, durante discussão sobre a condução do interrogatório, o promotor afirmou que o advogado seria um “cavador de nulidades”.

A declaração gerou reação imediata da defesa, que respondeu: “Lava a boca para falar de mim”. Na sequência, os dois continuaram trocando provocações até serem interrompidos pelo magistrado juiz Marcos Faleiros, da 4ª Vara Criminal da Capital, que determinou o prosseguimento do julgamento. Veja o vídeo do momento:

Durante a troca de acusações o advogado de defesa chegou a alegar que o júri poderia ser anulado por conta das falar do promotor. – Vídeo: Reprodução

O júri popular entrou na tarde desta quinta-feira na fase de interrogatório do réu, considerada uma das etapas mais aguardadas do julgamento. Até o momento não há uma data para o fim do julgamento.

O processo apura a morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, baleado em abril de 2023 durante uma confusão em uma conveniência, em Cuiabá. A defesa sustenta que o investigador agiu para preservar a própria vida, enquanto o Ministério Público aponta que houve execução.

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