Promotora cita sofrimento de vítimas e cobra recurso contra absolvição de guia espiritual denunciado por 13 mulheres em MT
Promotora Marcelle Rodrigues afirma que demora em recurso contra absolvição do guia espiritual Luiz Antônio Rodrigues prolonga sofrimento das vítimas.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) pediu o envio imediato ao Tribunal de Justiça (TJMT) do recurso contra a absolvição do guia espiritual Luiz Antônio Rodrigues Silva, acusado de abusos sexuais por 13 mulheres durante rituais religiosos em Cuiabá. Segundo o MP, a defesa perdeu o prazo para se manifestar sobre a apelação.
O pedido foi feito pela promotora Marcelle Rodrigues da Costa e Faria, que afirma que a defesa foi intimada em fevereiro e teve novas oportunidades para apresentar as contrarrazões em março e julho, mas não se manifestou. O MP sustenta que a demora mantém o recurso parado na primeira instância e prolonga a espera das mulheres pelo julgamento da apelação.

‘Sofrimento e vitimização secundária’
A promotora destaca que o processo envolve acusações de violência sexual contra várias mulheres e que, conforme a denúncia, os supostos abusos teriam ocorrido em uma relação marcada pela confiança das vítimas e pela autoridade espiritual exercida pelo acusado.
“Depois de esgotada a oportunidade de resposta da defesa, a permanência injustificada dos autos no primeiro grau impede a apreciação da apelação pelo órgão competente, prolonga a incerteza e transfere às vítimas o custo emocional de uma espera evitável. A demora estatal, nessas condições, não é neutra: pode intensificar sofrimento, descrédito e sensação de desproteção, convertendo o próprio funcionamento do sistema de justiça em fonte de vitimização secundária”, afirma.
No pedido, a promotora também cita um processo separado contra Luiz Antônio, envolvendo acusações semelhantes e duas vítimas adolescentes. Nesse caso, ele foi condenado a 8 anos e 9 meses de prisão por estupro mediante fraude.
O caso tramitou na 14ª Vara Criminal de Cuiabá e terminou com a condenação do acusado a 8 anos e 9 meses de reclusão por estupro mediante fraude contra duas vítimas que frequentavam o terreiro espiritual liderado por ele.
A promotora ressalta, porém, que o pedido de remessa ao TJMT é exclusivamente processual e não busca antecipar o resultado do julgamento da apelação.
Diante disso, ela pede que a apelação seja encaminhada imediatamente ao Tribunal de Justiça, independentemente da apresentação das contrarrazões da defesa do acusado e solicita que a remessa tenha prioridade para prevenção da vitimização secundária.
O pedido aguarda análise da 8ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá.
O caso

O guia espiritual Luiz Antônio Rodrigues Silva foi absolvido pela Justiça por insuficiência de provas das acusações de estupro e importunação sexual feitas por 13 mulheres, que afirmavam ter sido abusadas durante rituais de energização quando ele era líder de um terreiro entre 2022 e 2023.
A decisão é do juiz Jurandir Florêncio de Castilho Júnior, da 8ª Vara Criminal de Cuiabá. Na sentença, o magistrado aplicou o princípio “in dubio pro reo”, expressão em latim que significa “na dúvida, a favor do réu”.
O conceito é utilizado quando, após a análise de todas as provas no processo penal, o juiz ainda tem dúvidas sobre a culpa ou autoria do crime, devendo absolver o acusado em respeito ao princípio da presunção de inocência.
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