Servidor do TJMT investigado por fraude milionária se entrega à polícia

Mauro Ferreira Filho, investigado por desviar milhões do TJMT, se entregou após oito dias foragido e teve a prisão cumprida em Cuiabá.

O técnico judiciário Mauro Ferreira Filho, suspeito de ser principal operador de um esquema de fraude milionária no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), se apresentou à Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (7), em Cuiabá. Ele estava foragido desde o dia 30 de julho, quando foi deflagrada a Operação Sepulcro Caiado. Acompanhado do advogado, o servidor teve o mandado de prisão preventiva cumprido na Delegacia Especializada de Estelionato.

Crise nos consignados: Justiça derruba decreto da ALMT e Seplag barra novas operações de empresas investigadas.
Servidor do TJMT é preso (Foto: Reprodução)

Lotado desde 1995 na Divisão de Execução Financeira do TJMT, Mauro é suspeito de comandar um esquema de desvio de recursos judiciais paralisados, aqueles cujos valores permaneceram esquecidos em contas vinculadas a processos antigos. A fraude teria movimentado mais de R$ 21 milhões, em benefício de advogados e empresários também investigados. Apenas em 17 processos já identificados, o prejuízo passa de R$ 11 milhões.

Conforme a Polícia Civil, Mauro tinha amplo conhecimento dos fluxos internos do Judiciário e acesso ao sistema da chamada “conta única”. Usando esse privilégio, ele teria simulado pagamentos e inserido dados falsos para liberar os valores, em nome de terceiros ligados ao esquema.

Supersalário e acesso estratégico

Embora ocupasse cargo técnico, Mauro Ferreira recebia salário bruto de R$ 36.810,10, segundo dados de junho do Portal da Transparência do TJMT. O valor incluía gratificações, indenizações e vantagens pessoais. O salário líquido foi de R$ 30.508,60. Em abril de 2025, ele chegou a assumir interinamente a chefia da Gerência de Execução Financeira e Operações Bancárias — justamente o setor investigado na operação.

A suspeita da Polícia Civil é de que ele atuava como peça central na engrenagem financeira da organização criminosa, responsável por simular os pagamentos e articular a liberação dos valores. O caso é tratado como um dos maiores esquemas de desvio já identificados no Judiciário estadual.

Afastamento e auditoria

No dia da operação, o Tribunal de Justiça afastou Mauro e outras duas servidoras suspeitas de envolvimento nas fraudes. As medidas incluem suspensão de acesso aos sistemas internos, e-mails, controle de ponto e qualquer atividade funcional. Uma terceira servidora, que chefiava uma divisão do Departamento do Funajuris, foi exonerada.

O TJMT também instaurou uma sindicância para apurar eventuais irregularidades em pagamentos realizados desde 2011 e criou uma Comissão Especial de Auditoria, que vai revisar as movimentações financeiras da conta judicial do Estado no mesmo período. As ações foram determinadas pelo presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira.

Crimes e investigação

A Operação Sepulcro Caiado revelou um sofisticado esquema de fraudes em processos judiciais, com a participação de servidores, advogados e empresários. Os investigados respondem por crimes como organização criminosa, peculato, estelionato, falsificação de documentos, falsidade ideológica, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro.

Na quarta-feira (6), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que as investigações continuem sob responsabilidade da Delegacia de Estelionato, reforçando a importância da unidade e da racionalização da persecução penal. O inquérito segue em andamento.

FALE COM O PRIMEIRA PÁGINA

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Leia também em Justiça!

  1. primeira pagina 2026 10 09T204911.751

    STF manda MT pagar R$ 132 mil ao Pará após disputa por divisa entre os estados; entenda cobrança

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) ministro Edson Fachin determinou que...

  2. TCE

    Servidora concursada do TCE-MT é demitida após criticar tribunal nas redes sociais

    Servidora do TCE-MT foi demitida após investigação sobre publicações nas redes sociais...

  3. cachoeira

    Após 4 mortes, cachoeira que recebe até 2 mil turistas por fim de semana em MT pode ter acesso restringido

    MPF aponta quatro mortes por afogamento, falta de salva-vidas e degradação ambiental...

  4. Tamandua e Baita Piripkura. - Foto Bruno Jorge

    Justiça barra desmatamento em área onde vivem os 2 últimos indígenas de etnia em Mato Grosso

    A Justiça Federal negou recurso apresentado por ocupantes irregulares da Terra Indígena...