Surdos denunciam intérprete que usava papel e não libras em seleção para professor

Segundo candidatos, a pessoa designada para acompanhá-los como intérprete durante a prova, não dominava a Língua Brasileira de Sinais

Candidatos surdos que participaram do processo seletivo de professores temporários da REE (Rede Estadual de Ensino), no último domingo (7), afirmam terem sido prejudicados pelo despreparo da pessoa designada para acompanhá-los como intérprete de Libras durante a prova.

Segundo os participantes, a pessoa não dominava a Língua Brasileira de Sinais e teria tentado “interpretar” os sinais escrevendo as palavras em um papel. Há quem peça a reaplicação do exame. O MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) acompanha o caso.

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Intérprete de libras. (Foto ilustrativa: José Cruz/Agência Brasil)

A situação ocorreu em uma universidade particular onde a prova foi aplicada. Todos os candidatos com deficiência auditiva teriam sido designados para a mesma sala, sob orientação de uma pessoa que deveria ter domínio em Libras — o que não teria ocorrido, eles afirmam.

O intérprete se faz necessário para descrever as questões aos candidatos que não foram alfabetizados por meio da escrita e, por isso, só compreendem a língua de sinais.

O atendimento diferenciado constava no edital do processo seletivo, que também previa, além do intérprete, fiscal ledor, fiscal transcritor, prova ampliada, acesso e mesa para cadeirante, e tempo adicional para a realização da prova, no caso dos candidatos autodeclarados Pessoas com Deficiência ou outra necessidade a ser analisada pela Comissão do Processo Seletivo Simplificado.

Segundo um dos candidatos, “a pessoa designada não sinalizava Libras, não compreendia os sinais do candidato, tentou ‘interpretar’ escrevendo palavras em um papel e não soube esclarecer sinais essenciais para a compreensão das questões”.

Um dos candidatos, que terá a identidade preservada, afirma ter saído emocionalmente abalado e impossibilitado de “competir em condições justas” no processo, devido ao despreparo do profissional.

“Foi uma violência contra a minha acessibilidade, minha língua e minha dignidade enquanto pessoa surda”, comenta.

Diante do ocorrido, o candidato solicitou ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul a investigação da banca, a responsabilização dos envolvidos e a reaplicação da prova com intérprete profissional.

“Fui tratado como se minha língua não existisse. Meu desempenho foi prejudicado porque a banca não garantiu o mínimo: um intérprete de Libras profissional. Isso não é acessibilidade — é exclusão e discriminação”, comenta.

O que diz o MPMS

Conforme o MPMS, a Promotoria dos Direitos Humanos em Campo Grande recebeu a denúncia e instaurou uma Notícia de Fato para apurar as circunstâncias relativas aos intérpretes no processo seletivo. A reportagem questionou o Instituto Avalia, que organizou o certame, sobre a situação e aguarda retorno.

O governo do Estado também foi acionado e não respondeu nossos questionamentos.

O processo seletivo

Com salário de até R$ 7.512,00, o processo seletivo era exclusivo para formação de Banco Reserva de Docentes Temporários na REE (Rede Estadual de Ensino) dos 79 municípios do Estado. O gabarito oficial foi divulgado na terça-feira (9) e pode ser acessado aqui.

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Comentários (1)

  • Brígida Silva

    Caramba,o jeitinho brasileiro até nesse quesito?, já é difícil ser encaixado nesse direito e ainda tem falta de respeito?não é admissível brincar com as pessoas que necessitam desse profissional , é preciso ser coerente se posso atender os surdos mudos, não dá para fingir que sabes língua dos surdos mudos

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