Tiro no rosto: ex-procurador será julgado por assassinato em Cuiabá
Decisão da Justiça afirma que crime foi cometido com crueldade e surpresa, sem chance de defesa da vítima em situação de rua.
O ex-procurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Luiz Eduardo de Figueiredo Rocha e Silva, de 45 anos, será levado a júri popular pelo assassinato de Ney Muller Alves Pereira, de 42 anos, que vivia nas ruas e tinha esquizofrenia, morto em 9 de abril deste ano nas proximidades da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.

A decisão é da juíza Cristhiane Trombini Puia Baggio, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, publicada na quinta-feira (14).
A magistrada reconheceu a existência de provas suficientes de autoria e materialidade, manteve a prisão preventiva do réu e acolheu as duas qualificadoras apontadas pelo Ministério Público: motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo a magistrada, o comportamento do ex-procurador antes e depois do crime revela “frieza e desprezo pela vida humana”. Em sua decisão, destacou que o acusado “jantou normalmente com a família” e, em seguida, saiu em busca da vítima para cometer o homicídio.
O que apontou o Ministério Público
Na denúncia apresentada, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) sustentou que o assassinato foi motivado por sentimento de vingança, após o acusado se desentender com a vítima em ocasiões anteriores.
“O denunciado agiu impelido por motivo torpe, uma vez que, em razão de um desentendimento pretérito, decidiu ceifar a vida de um homem em situação de rua”, afirmou a Promotoria.
O órgão também reforçou a vulnerabilidade de Ney Muller. “A vítima, pessoa em situação de rua, portadora de esquizofrenia e desarmada, foi surpreendida de forma inesperada, sem qualquer possibilidade de defesa”, registrou o MP.
Na denúncia, o Ministério Público afirmou que o crime foi praticado com “frieza incomum”, já que a vítima foi surpreendida de forma inesperada, “sem qualquer chance de defesa”. O órgão ainda destacou que a execução foi motivada por vingança, reforçando a gravidade da conduta.
Além disso, o Ministério Público pediu que, em eventual sentença condenatória, seja fixado valor mínimo de indenização para reparação dos danos materiais e morais sofridos pelos familiares da vítima.
Carreira e prisão do acusado
Luiz Eduardo ocupava o cargo de procurador-geral de Gestão de Pessoas da ALMT e recebia salário base de R$ 44 mil, conforme o Portal da Transparência. Ele está preso preventivamente desde o dia 10 de abril, menos de 24 horas após o crime.
A decisão da juíza Cristhiane Trombini Puia Baggio mantém a prisão preventiva, justificando que a liberdade do réu representaria risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.
Com a pronúncia, o caso será levado ao Tribunal do Júri, ainda sem data definida.
Vídeo mostra o momento do crime
Uma câmera de segurança flagrou o instante em que Ney Muller foi atingido com um tiro no rosto, no Bairro Boa Esperança, em Cuiabá. As imagens mostram a vítima caminhando pela calçada quando um carro de luxo se aproxima. O motorista parece chamá-la e, em seguida, dispara. Depois do tiro, ele acelera e foge, enquanto o homem cai no chão.
Segundo o boletim de ocorrência, o homicídio ocorreu por volta das 21h, na Avenida Edgar Vieira, ao lado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O Samu foi acionado, mas constatou a morte ainda no local.
O procurador da Assembleia Legislativa se entregou à polícia no dia seguinte. A defesa nega que tenha sido execução e alega que a vítima teria danificado veículos em um posto de combustível, entre eles o do servidor.
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Comentários (1)
Toma corno vai pagar o que deve, quero que se exploda lá dentro