TJ derruba liminar e autoriza retomada de obras no Morro de Santo Antônio
Decisão do TJ suspende liminar que havia paralisado intervenções após apontamentos de danos ambientais na área de preservação.
O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ-MT) derrubou a decisão que havia suspendido as intervenções no Morro de Santo Antônio e liberou o andamento das obras na área. A nova decisão, proferida nesta quarta-feira (4), acolheu o recurso apresentado pelo Estado contra a liminar que impedia a pavimentação, terraplenagem e implantação de infraestrutura turística no local.
Com a decisão do desembargador Deosdete Cruz Junior, foi suspensa a determinação anterior que havia interrompido a continuidade das intervenções ao barrar a concorrência para contratar uma empresa que ficaria responsável pelas obras. Ao analisar o recurso, o magistrado entendeu que a licitação foi paralisada sem a indicação de irregularidades no processo e que a decisão de primeira instância pode ter extrapolado os limites de atuação do Judiciário.

O desembargador também afirmou que a decisão anterior foi contraditória ao exigir do Estado uma série de medidas técnicas e, ao mesmo tempo, impedir a contratação da empresa que executaria os serviços. Na avaliação dele, isso poderia dificultar o cumprimento das determinações e provocar prejuízo aos cofres públicos.
O que disse o Governo
No recurso, o Governo do Estado alegou que o relatório do Ministério Público apresenta conclusões diferentes das verificadas em uma vistoria judicial anterior e voltou a defender que o licenciamento ambiental seguiu as regras.
O Estado argumentou ainda que, com base na Resolução Conama 01/1986, não seria necessário Estudo de Impacto Ambiental, por se tratar, segundo a defesa, da implantação de uma trilha turística prevista no Plano de Manejo da unidade.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) informou ao Tribunal que obras para conter a erosão foram realizadas em dezembro de 2025, com acompanhamento técnico. Com a nova decisão, a licitação e as intervenções voltam a ter validade, enquanto o processo continua em tramitação.
Pedido do MPE
A obra tinha sido paralisada por decisão da Vara Especializada do Meio Ambiente de Cuiabá, em 19 de fevereiro, após a Justiça apontar o agravamento de danos ambientais no morro. A paralisação foi solicitada pelo Ministério Público do Estado, que apresentou relatório técnico indicando avanço de processos erosivos, intensificado pelo período chuvoso.

O documento do Centro de Apoio Operacional (CAEX), elaborado após vistoria realizada em novembro de 2025, apontou ainda divergências entre o projeto autorizado e o que teria sido executado. Segundo o relatório, o licenciamento previa uma trilha com até três metros de largura, mas, em alguns trechos, a via aberta chegaria a 12 metros.
Em decisão anterior, o juiz havia negado o pedido de paralisação com base nas informações apresentadas pelo Governo do Estado, que dizia ter interrompido os trabalhos e adotado medidas de recuperação ambiental. Com o novo relatório técnico, a liminar determinando a suspensão imediata das obras foi concedida.
Leia mais
Mais lidas - 1 Despejo de 500 famílias: Justiça manda desocupar apartamentos em condomínios
- 2 Justiça dá 60 dias para Estado corrigir falhas na saúde de presídios de MT
- 3 Luxo, dinheiro vivo e influência: o esquema de venda de sentenças no TJMS
- 4 Ex-goleiro Bruno tem 15 dias para pagar R$ 1,9 milhão ao filho
- 5 Em júri, pais acusados de matarem bebê e simularem acidente dão versões diferentes; veja
- 1 Despejo de 500 famílias: Justiça manda desocupar apartamentos em condomínios
- 2 Justiça dá 60 dias para Estado corrigir falhas na saúde de presídios de MT
- 3 Luxo, dinheiro vivo e influência: o esquema de venda de sentenças no TJMS
- 4 Ex-goleiro Bruno tem 15 dias para pagar R$ 1,9 milhão ao filho
- 5 Em júri, pais acusados de matarem bebê e simularem acidente dão versões diferentes; veja




