"Uma apunhalada no meu coração": mãe de Isabele diz que vai recorrer da decisão
A adolescente condenada por matar Isabele havia sido internada pelo ao infracional em janeiro 2021.
Diante da mudança da qualificação do crime de doloso para culposo, Patrícia Ramos, mãe de Isabele Guimarães Ramos, 14, afirmou nesta quinta-feira (09) que se sentiu apunhalada pelas costas e que vai recorrer da decisão da Terceira Câmara Criminal.

A adolescente condenada por matar Isabele havia sido internada pelo ao infracional em janeiro 2021. Ela cumpria medida socioeducativa no Lar Menina Moça, no complexo Pomeri, em Cuiabá. Com a nova decisão, a menina foi solta no fim da tarde dessa quarta-feira (8).
“Desqualificar o crime de doloso pra culposo foi uma apunhalada no meu coração, é o mesmo que dizer que a vida da minha filha nunca valeu nada. É admitir e encarar que tudo foi em vão. Tem o trabalho da polícia e o trabalho da juíza que ouviu as testemunhas, é como matar a minha filha novamente”, disse.
A mãe destaca que a arma não agiu sozinha e que a garota conhecia muito bem a arma do crime. “Ela, essa garota, era perita nisso”, diz Patrícia Ramos.
“Quero que todos saibam que a minha voz não vai se calar, eu vou até as últimas consequências e vou recorrer dessa decisão absurda”, concluiu.
Pelas redes sociais, a mãe se disse “indignada, surpresa e aflita”.
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Votos do TJMT
Os desembargadores Juvenal Pereira e Gilberto Giraldelli votaram pela manutenção da sentença de condenação da adolescente. Já Rondon Bassil votou pela absolvição total da menor de idade e afirmou que a sentença estava em estado de erro.
Contudo, Márcio Vidal e Luiz Carlos da Costa votaram para mudar a classificação do crime de doloso para culposo.
Diante do empate, prevaleceram os votos mais favoráveis à adolescente.
Morte de Isabele
A morte de Isabele Guimarães Ramos foi registrada no dia 12 de julho de 2020. Após investigações, a Polícia Civil indiciou a autora do tiro por ato infracional análogo a homicídio doloso.
A investigação concluiu ainda que a versão apresentada por ela, no decorrer do inquérito, era incompatível com o que aconteceu no dia da morte e que a conduta da suspeita foi dolosa, porque, no mínimo, assumiu o risco de matar a vítima.
O Ministério Público Estadual (MPE) acusou a amiga de matar Isabele, e no dia 10 de setembro daquele ano, pediu a internação provisória dela.
Seis dias depois, a Justiça aceitou o pedido do MPE, ordenou a internação da menina e deu início ao processo que tramita em sigilo. No entanto, a internação durou menos de 12 horas, porque a Justiça concede habeas corpus a pedida da defesa dela.
O TJMT manteve a adolescente em liberdade até a conclusão do processo, com medidas cautelares, como não sair depois de meia-noite de casa e não ingerir bebida alcoólica.
O processo foi concluído em janeiro de 2021. A adolescente foi condenada à internação em unidade socioeducativa.
Desde então, a defesa já impetrou vários recursos na tentativa de que ele cumpra de sentença, em casa.
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