Vale-ceia, SIM! R$ 5 milhões são depositados na conta de magistrados de MT

O valor foi empenhado no dia 17 de dezembro, dois dias antes de o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) suspender o benefício

Dados do Portal da Transparência apontam que, apesar do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) ter suspenso o pagamento do vale-ceia, um total de R$ 5 milhões caiu na conta dos magistrados de Mato Grosso. Esse é o montante que consta como pago pelo Judiciário, com recursos do duodécimo repassado pelo governo do estado.

Ainda segundo as informações do Portal da Transparência, o TJ-MT (Tribunal de Justiça de Mato Grosso) empenhou, no dia 17 de dezembro de 2024, mais de R$ 82,5 milhões para a concessão de auxílio-alimentação aos demais servidores.

Palácio da Justiça Desembargador Ernani Vieira de Souza. (Foto: Lucas Ninno/GCOM)
Palácio da Justiça Desembargador Ernani Vieira de Souza. (Foto: Lucas Ninno/GCOM)

O empenho foi feito dois dias antes de o CNJ suspender o “bônus de Natal” de R$ 10.055, concedido pela desembargadora Clarice Claudino da Silva.

O TJ afirmou que enviou manifestação ao CNJ sobre o pagamento do auxílio-alimentação e aguarda resposta. A assessoria do Tribunal de Justiça alega que o valor pago a magistrados referente ao auxílio foi de R$ 3,2 milhões, e não R$ 5 milhões, como consta no Portal da Transparência. Segundo a assessoria, as informações que constam no Portal da Transparência estão incorretas e precisam ser atualizadas.

“Humanização da justiça”, essa é a principal bandeira da presidente do TJ de MT
Clarice Claudino participando do Papo das 7. (Foto: TVCA)

O relatório da Justiça em Números 2024, mostra que o custo médio mensal de um magistrado de Mato Grosso é de R$ 116,6 mil, que o torna o segundo mais caro do Brasil.

Se levarmos em consideração apenas o valor pago em auxílio-alimentação em dezembro para os desembargadores é possível pagar o mesmo benefício para 1.400 juízes.

Dados de 2024 apontam que o TJ-MT tem 39 desembargadores, 285 juízes e mais de cinco mil servidores.

Colecionando polêmicas

O órgão tem colecionado polêmicas em 2024. O levantamento, com dados referentes a 2023, posiciona o TJMT atrás apenas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), com R$ 120,3 mil, como o mais caro do Brasil. O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO), fecha esse top 3, registrando R$ 111 mil.

Leia mais: CNJ corta bônus de R$ 10 mil para servidores e magistrados do TJ-MT

Esses três tribunais são os únicos no país onde o custo médio mensal por magistrado ultrapassa os R$ 100 mil, significativamente acima do teto constitucional de R$ 44 mil, referente ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além dessa polêmica, o TJMT segue sob o impacto das investigações de um esquema de venda de sentenças, conduzidas pela Polícia Federal e pelo CNJ.

Em agosto deste ano, os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho foram afastados de suas funções no Tribunal por suspeita de envolvimento no esquema. A corregedoria do CNJ continua apurando os fatos.

Nova presidência

O desembargador José Zuquim Nogueira tomou posse no dia 19 de dezembro. como presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para o biênio 2025-2026. A gestão, porém, começa em um momento delicado para o Poder Judiciário de Mato Grosso, que enfrenta polêmicas e investigações de repercussão nacional.

Desembargador José Zuquim Nogueira tomou posse como presidente do Tribunal de Justiça. (Foto: TJMT/Divulgação)
Desembargador José Zuquim Nogueira tomou posse como presidente do Tribunal de Justiça. (Foto: TJMT/Divulgação)

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