Várzea Grande cita cemitério municipal para tentar barrar despejo de 700 famílias

Município recorreu ao TJMT após decisão que determinou a desocupação de área ocupada há cerca de 15 anos por mais de 700 famílias.

A Prefeitura de Várzea Grande recorreu à Justiça para tentar reverter uma decisão que determinou a reintegração de posse de uma área ocupada há cerca de 15 anos por mais de 700 famílias na região conhecida como Princesinha do Sol.

A sentença, dada pela 1ª Vara Cível de Várzea Grande, reconheceu o direito de propriedade de Silvio Pires da Silva sobre uma área de aproximadamente 50,57 hectares e determinou que os ocupantes deixem o local em até 60 dias, prazo que terminaria neste mês, porém, como houve suspensão do processo, o período foi estendido.

primeira pagina 2026 06 02T162359.058
Área da região conhecida como “Princesinha do Sol” em Várzea Grande é ocupada por mais de 700 famílias. – Foto: Reprodução

Caso a desocupação não ocorra voluntariamente, a decisão prevê a expedição de mandado de imissão na posse com apoio policial. Também foi fixada multa diária de R$ 250 por ocupante, inicialmente pelo período de 30 dias.

Segundo a Prefeitura de Várzea Grande, a área abriga atualmente um bairro consolidado, onde vivem cerca de 700 famílias, além de contar com um cemitério municipal. Por isso, a gestão municipal sustenta que o caso vai além de uma disputa patrimonial e envolve questões urbanísticas e de interesse público.

Em recurso apresentado ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o procurador-geral do município, Maurício Magalhães Faria Neto, argumenta que a prefeitura não participou do processo original, apesar de ter interesse jurídico direto na discussão.

De acordo com o município, a existência de equipamentos públicos e a ocupação consolidada alteram a natureza da disputa.

“A discussão deixa de ser exclusivamente patrimonial e passa a exigir compatibilização entre propriedade privada, função social, moradia, política urbana, segurança jurídica e interesse público municipal”, sustenta a Procuradoria.Entenda o caso

A ação foi movida por Silvio Pires da Silva, que afirma ter adquirido a área por meio de arrematação judicial em um leilão decorrente de uma execução contra a Cerâmica Dom Bosco.

No processo, o proprietário alegou que parte do imóvel vinha sendo ocupada irregularmente por terceiros. Em resposta, os moradores defenderam que residem no local há décadas e pediram o reconhecimento da propriedade por meio da usucapião.

Ao analisar o caso, a juíza Ester Belém Nunes concluiu que os ocupantes não conseguiram comprovar os requisitos necessários para o reconhecimento da usucapião.

“[…] concluo que a prova produzida pelos réus é frágil, contraditória e insuficiente para caracterizar a posse qualificada exigida para a usucapião extraordinária”, registrou a magistrada na decisão.

Prefeitura aponta impactos sociais

No recurso, a prefeitura argumenta que a retirada das famílias pode provocar impactos sociais significativos, incluindo aumento da vulnerabilidade dos moradores, desestruturação comunitária, agravamento do conflito fundiário e pressão sobre os serviços públicos municipais.

O município também afirma que a região já está incluída em um projeto de Regularização Fundiária Urbana (Reurb) desde 2025 e que existem investimentos públicos implantados ou previstos para o local.

Diante disso, a gestão municipal pede ao Tribunal de Justiça que reconheça sua participação no processo como terceira interessada e declare a nulidade da sentença por ausência do município na ação.

Até o momento, não há decisão do TJMT sobre o recurso apresentado pela prefeitura.

Leia mais

  1. EUA citam Mato Grosso em investigação sobre desmatamento

  2. Saúde de MT confirma ataque hacker que atingiu 1 TB de arquivos

  3. Sonho de museu a céu aberto virou ruína em área nobre de Cuiabá

  4. Em 5 meses, mais de 18 mil casos de violência contra mulheres foram registrados em MT

  5. Clínica onde paciente morreu tinha 42 internos e não aparece em registro do CRM

FALE COM O PRIMEIRA PÁGINA

Para falar com a redação do Primeira Página em Mato Grosso, clique aqui. Curta o nosso Facebook e siga a gente no Instagram.

Leia também em Justiça!

  1. MPMS consegue aumento de pena para condenado por estupro de vulnerável. (Foto: Decom) feminicídio

    Feminicídio: homem é condenado a 33 anos por matar companheira com 11 facadas em MS

    Condenado, homem vai pagar R$ 10 mil por danos morais após cometer...

  2. primeira pagina 2026 08 07T192253.844

    Procurador-geral de MT deixa cargo um dia após operação da PF que fez buscas na PGE

    Procurador-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT) Francisco de Assis da Silva...

  3. primeira pagina 2026 08 07T174143.631

    CNJ abre investigação contra desembargador recém-aposentado do TJMT para apurar nepotismo cruzado

    CNJ instaurou dois processos administrativo disciplinares (PAD) contra o desembargador aposentado Dirceu...

  4. Mulher foi agredida com garrafada de café. (Foto: Gerada por IA)

    Briga por acidente de trânsito termina com garrafada e R$ 5 mil de indenização

    Uma discussão por acidente de trânsito terminou com uma mulher atingida por...

  5. Consumidora encontrou barata no lanche. (Foto: Reprodução do processo)

    Mulher grávida encontra barata em hambúrguer e ganha R$ 6 mil na Justiça

    Barata encontrada em hambúrguer rende R$ 6 mil de indenização a consumidora...