Venda de sentença: STF manda desembargador voltar à presidência do TJMS

Além do retorno do desembargador ao posto, Cristiano Zanin retirou autorizou que Martins retire tornozeleira

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin determinou o retorno do desembargador Sérgio Fernandes Martins à presidência do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). Zanin acatou o pedido do advogado do magistrado, Rodrigo Mudrovitsch, que alegou não haver indícios de beneficiamento do cliente em venda de decisões.

desembargador
Desembargador Sérgio Fernandes Martins. (Imagem: TJMS/Reprodução).

O ministro também se baseou em parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, a favor do retorno de Martins ao cargo. A decisão é de quinta-feira (5).

O Primeira Página entrou em contato como o escritório do advogado Rodrigo Mudrovitsch, que informou que “como o processo tramita em segredo de justiça, não vamos nos pronunciar sobre o tema”.

Acusação

Sérgio Martins é um dos membros da alta cúpula do Judiciário de Mato Grosso do Sul. O desembargador foi citado na operação que investigou esquema de venda de decisões judiciais no Tribunal de Justiça do estado.

Além de Martins, outros 4 desembargadores foram alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça, cumpridos pela Polícia Federal, no dia 24 de outubro, durante a operação “Ultima Ratio”. Entenda mais sobre o desenrolar da ação nas matérias abaixo:

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No entendimento de Cristiano Zanin, a defesa de Sérgio Fernandes Martins teria esclarecido as dúvidas sobre as transações financeiras que supostamente estariam ligadas ao pagamento de propina. As respostas da defesa do desembargador foram:

  • A defesa alegou que os R$ 95 mil que desembargador teria recebido em sua conta havia sido cedidos pelo pai para viabilizar a aquisição do veículo, transação equivocadamente declarada à Receita Federal como decorrente de compra e venda;
  • Que um outro veículo teria sido quitado por meio de uma entrada de R$ 4.500,00, uma transferência de R$ 70.000,00 e seis parcelas de R$ 10.000,00, por boleto bancário, conforme comprovantes apresentados;
  • As transações envolvendo gado decorreram também de doação de parte do estoque pelo pai de Martins, em transações declaradas à Receita Federal de pai e filho, conforme documentos apresentados pela defesa.

“Essa documentação, como observado pela Procuradoria-Geral da República, esclarece, perfunctoriamente, a suspeita sobre as transações que foram indicadas pela Polícia como sugestivas de participação na empreita criminosa objeto deste inquérito. Por outro lado, é de se considerar que o COAF não noticiou quaisquer transações suspeitas em relação ao investigado, ausentes outros registros de transações fraudulentas a corroborar a hipótese investigativa inicial”.

Cristiano Zanin, ministro do STF.

Além de autorizar o retorno do desembargador ao posto, Cristiano Zanin retirou as demais medidas cautelares. O desembargador estará livre para ter contato com os demais funcionários do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul e vai retirar a tornozeleira eletrônica.

Com o afastamento de Martins, quem assumiu o lugar dele foi o desembargador Dorival Renato Pavan, promovido “por merecimento”.

Ultima Ratio

A operação, que foi deflagrada após três anos de investigações, apura crimes como lavagem de dinheiro, extorsão, falsificação e organização criminosa. Além de Sérgio Martins, foram alvos:

  • Vladimir Abreu – vice-presidente eleito para assumir o biênio 2025/2026;
  • Sideni Pimentel – presidente eleito para assumir o biênio 2025/2026;
  • Alexandre Aguiar Bastos – desembargador;
  • Marcos Brito – desembargador.

Os outros quatro desembargadores seguem afastados.

Ao todo, 44 mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), com ações realizadas em Campo Grande, Brasília (DF), São Paulo (SP) e Cuiabá (MT). Os suspeitos são investigados pelos crimes de corrupção em vendas de decisões judiciais, lavagem de dinheiro, organização criminosa, extorsão e falsificação de escrituras públicas no Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul.

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Comentários (1)

  • Claudia

    Chega ser vergonhoso ler uma matéria dessa e repugnantemente é revoltante como só o pobre se ferra nesse país chamado Brasil. Um monte de corruptos ganha milhões e são inocentados enquanto um pobre pega 10, 15 anos de prisão porque roubou um pote de leite pra da um filho que estava com fome por falta de oportunidade no mercado de trabalho. Até aonde vai a corrupção do nosso estado. Pra mim são todos farinha do mesmo saco

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