Violência contra mulher: Pedra 90 e Dr. Fábio lideram ranking de denúncias em Cuiabá
A Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá (DEDM) disponibilizou o 5º Anuário Estatístico, com os dados levantados durante os atendimentos feitos de janeiro a dezembro de 2021, em relação ao mesmo período de 2020.
Josilaine Maria Gomes dos Reis, de 32 anos, foi morta a facadas pelo ex-marido, no dia 6 de outubro de 2021, em Cuiabá. O crime que vitimou a técnica em enfermagem ocorreu na frente dos filhos dela, no bairro Nova Esperança.

Esse caso faz parte das tristes estatísticas de crimes cometidos contra mulheres em Cuiabá. Mas ao mesmo tempo, levanta um alerta sobre a importância de que as vítimas denunciem seus agressores.
A Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá (DEDM), ponto de apoio às mulheres na capital, disponibilizou o 5º Anuário Estatístico, com os dados levantados durante os atendimentos feitos de janeiro a dezembro de 2021, em relação ao mesmo período de 2020.
Os dados apontam o total de mulheres que sofreram violência de gênero e procuraram a delegacia em busca de amparo, além dos tipos de serviços realizados em apoio a essas vítimas, entre outras informações.

5º Anuário da DEDM/Cuiabá
O anuário ressalta que durante a pandemia da covid-19, houve aumento no número de feminicídios, enquanto os outros crimes de violência doméstica diminuíram. Isso ocorreu devido ao período de isolamento social, em que muitas mulheres passam maior tempo em casa com o agressor e, em muitos casos, têm dificuldade de acesso às ferramentas de denúncia e proteção.
LEIA MAIS
Projeto quer reduzir pena de presos do Centro de Detenção Provisória de Juína por meio da leitura
A partir de agosto de 2020, a delegacia iniciou atendimentos em plantão de 24 horas na capital. Além disso, um trabalho em conjunto entre PJC e TJMT lançou plataformas digitais que começaram a ser usadas por vítimas para terem acesso aos registros de ocorrências, para pedido de medidas protetivas e também do botão do pânico, tudo de maneira on-line.
Atendimentos
De janeiro a dezembro de 2021, a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá realizou 3.110 atendimentos às vítimas do sexo feminino, um aumento de 51% no número de mulheres amparadas pela delegacia em relação ao mesmo período de 2020, em que 2.061 mulheres receberam apoio.
No ano de 2021, os meses que tiveram maior número de ocorrências foram agosto (287 registros) e outubro (302). Já em relação aos dias da semana, os domingos têm 22,4% das ocorrências, seguido pelo sábado, com 20,2%.
Esses dados reforçam a importância dos plantões 24 horas na delegacia, em todos os dias da semana, servindo de amparo para as vítimas, que podem se tornar mais vulneráveis aos finais de semana, justamente o período em que passam mais tempo junto ao parceiro/agressor.
Tipos de ocorrência
Em 2021, os crimes mais denunciados pelas vítimas foram ameaça (1.467 registros) e lesão corporal (931), além desses, 30 denúncias foram feitas contra o crime de estupro.
A motivação mais frequente, que consta nos boletins de ocorrência, é a passional: 52,1% dos casos envolveram ciúmes ou sensação de posse e até mesmo menosprezo do homem em relação à mulher, o que mostra exatamente a raiz de muitos crimes, principalmente o feminicídio.
Regiões e vítimas
Segundo dados do anuário, os bairros Pedra 90, Dr. Fábio e CPA 3 são os focos de registros de violência contra mulher. Só no Pedra 90, foram 127 registros em 2021.
Em relação às vítimas, o levantamento da DEDM/Cuiabá mostra que 28,3% dos crimes são cometidos contra mulheres de idade entre 35 e 45 anos. Em segundo lugar, com 18,3% dos casos, estão as mulheres de idade entre 18 a 24 anos.
O levantamento aponta também que 827 vítimas mantinham relacionamento com o cônjuge agressor há mais de 9 anos, o que representa 25,7% dos casos.
Além disso, 745 mulheres atendidas pela delegacia possuem pelo menos 1 filho com o denunciado.
Esses dados mostram que os dois maiores tipos de denúncia foram feitas contra homens com os quais essas mulheres ainda estavam convivendo no momento, somando 30,3% dos casos.
Já as denúncias contra ex-conviventes representam o segundo lugar do ranking, 23,4% dos casos.
Pós-atendimentos
Dentre os procedimentos realizados após as denúncias, 3.032 medidas protetivas foram determinadas, porém, 262 mulheres retornaram à delegacia em busca de ajuda após os suspeitos não respeitarem as medidas. Em meio aos casos, 79 mulheres foram encaminhas para casas de amparo em Cuiabá.
Apesar de 96% dos crimes denunciados e registrados terem sido cometidos por homens, a pesquisa ainda mostra que os outros 4% foram crimes cometidos contra mulheres, por outras mulheres.

O aumento das denúncias registradas de 2020 em relação a 2021 mostra que as mulheres estão quebrando cada vez mais o silêncio contra os agressores, fato que pode levar a uma corrente de coragem entre as vítimas.
Apesar de casos de descumprimento de medidas judiciais por parte dos agressores, ainda é de extrema importância que as mulheres não se calem.
Denúncias podem ser feitas pelo 197 ou 181, também por meio do 190 da Polícia Militar, ou então através do aplicativo “SOS Mulher MT – Botão do Pânico”.
Pela internet, as vítimas podem denunciar nos sites sosmulher.pjc.mt.gov.br e www.edenuncias.mt.gov.br.
Mais detalhes do anuário disponibilizado pela Delegacia da mulher podem ser vistos aqui.

Mais lidas - 1 Mato Grosso aciona 10 bancos por suspeita de irregularidades em consignados
- 2 Ex-secretário de MT que teve diamantes e dólares apreendidos pela PF é condenado por tráfico internacional
- 3 Quase 10 mil trabalhadores da MBRF de MT podem receber até R$ 28 milhões em acordo na Justiça
- 4 Da perseguição aos disparos: relembre o caso que leva Carlinhos Bezerra a julgamento nesta terça
- 5 Ibama tem até esta quarta-feira para devolver macaco Guerreiro à família que o salvou
- 1 Mato Grosso aciona 10 bancos por suspeita de irregularidades em consignados
- 2 Ex-secretário de MT que teve diamantes e dólares apreendidos pela PF é condenado por tráfico internacional
- 3 Quase 10 mil trabalhadores da MBRF de MT podem receber até R$ 28 milhões em acordo na Justiça
- 4 Da perseguição aos disparos: relembre o caso que leva Carlinhos Bezerra a julgamento nesta terça
- 5 Ibama tem até esta quarta-feira para devolver macaco Guerreiro à família que o salvou