Viúva de PM morto defende anulação de júri: 'impunidade é a morte da Justiça'

Walkiria Filipaldi criticou pena de 2 anos em regime aberto e pediu anulação do júri pela morte do cabo Thiago Ruiz, em Cuiabá.

A viúva do policial militar Thiago de Souza Ruiz, Walkiria Filipaldi Corrêa, pediu a anulação de júri que condenou o investigador Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves pela morte do militar, ocorrida em abril de 2023, em uma conveniência de Cuiabá.

Em pronunciamento após o fim do julgamento, Walkiria afirmou que a decisão representa “impunidade” e criticou a atuação da defesa.

Momentos antes da discussão e briga que terminou com a morte do PM Thiago Ruiz em 26 de abril de 2023. - Foto: Reprodução
Momentos antes da discussão e briga que terminou com a morte do PM Thiago Ruiz em 26 de abril de 2023. – Foto: Reprodução

O investigador foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto após três dias de julgamento. No vídeo a viúva alegou que Mário saiu do fórum comemorando.

“O Mário saiu pela porta da frente ontem do fórum comemorando. A vida virou o quê? A morte de alguém virou uma comemoração. Foi uma comemoração. E ele saiu como Robin Hood, o homem que livra as mulheres de violência doméstica. O homem que matou porque teve uma demonstração machista, egoísta e arrogante”, declarou.

O julgamento foi encerrado nesta quinta-feira (14), com o Conselho de Sentença reconhecendo que Mário foi autor dos disparos que mataram Thiago e que agiu de forma negligente ao sacar a arma dentro de uma conveniência. A sentença fixou pena de dois anos de detenção em regime aberto e determinou a retirada da tornozeleira eletrônica.

Veja o vídeo:

Ao longo do vídeo a viúva comenta sobre os momentos de tensão ao longo do julgamento. – Vídeo: Reprodução

No vídeo, Walkiria afirmou que a tese acolhida pelos jurados nunca havia sido apresentada ao longo da investigação e tramitação processual.

“Tão experte quanto seus defensores que trouxeram uma tese que nunca foi suscitada nem na fase do auto de prisão em flagrante, inquérito policial, extração de julgamento até a fase do júri. Em nenhuma página do processo há menção a homicídio culposo por negligência. Até o boletim de ocorrência é um homicídio qualificado”, comenta a viúva.

A viúva também criticou a condução da defesa durante o plenário do júri e afirmou que o cabo Thiago Ruiz teve sua imagem desqualificada diante dos jurados.

“A defesa a todo momento atacava a vítima. A vítima era isso, era aquilo, não vou repetir em respeito a quem está assistindo. Mas eram os níveis mais baixos que eu já vi na minha vida”, afirmou.

Segundo Walkiria, o investigador agiu de forma irresponsável ao efetuar os disparos em uma conveniência com outras pessoas presentes.

“A vítima levou sete tiros numa conveniência onde o réu não teve sequer nenhum temor de que lá tinham várias câmeras, onde o réu não teve nenhum respeito pela vida de terceiros, onde o réu se apresentava em flagrante estado de embriaguez e vem me dizer que a abordagem foi legítima”, declarou.

O investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, réu pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, em abril de 2023 – Foto: Alair Ribeiro
O investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, réu pela morte do policial militar Thiago de Souza Ruiz, em abril de 2023 – Foto: Alair Ribeiro

Em tom emocionado, ela afirmou que a família do policial militar se sentiu desrespeitada com o resultado do julgamento e rebateu a narrativa apresentada pela defesa. No fim do vídeo Walkiria pediu que o Ministério Público e o Poder Judiciário anulem o julgamento.

“Eu rogo e clamo ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e ao meu assistente de acusação que anule esse júri. Isso é justiça. Isso é justo. O resto será impunidade. E impunidade, nós sabemos que é o fim da Justiça, é enterrar a humanidade. A impunidade é a morte da Justiça. E nós não queremos isso”, concluiu.

Após o fim da leitura da sentença, o Ministério Público recorreu da decisão imediatamente após a leitura da sentença.

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