Dia Nacional do Livro Infantil: 5 obras para ler com as crianças
O Primeira Página separou cinco livros de escritores brasileiros como Monteiro Lobato, homenageado nacionalmente nesta terça-feira (18), para você ler com a sua criança
O mundo infantil é repleto de imaginação e, por isso, incentivar o contato com a literatura pode ser um caminho fértil para ampliar os conhecimentos e despertar novas criatividades nos pequenos! Pensando nisso, o Primeira Página separou cinco livros de escritores brasileiros como Monteiro Lobato, homenageado nacionalmente nesta terça-feira (18), para você ler com a sua criança.

O Dia Nacional do Livro Infantil, assim como o aniversário de um dos maiores nomes da literatura infantil brasileira, são comemorados no dia 18 de abril.
E você pode até nunca ter ouvido falar em Monteiro Lobato, mas deve ter conhecido uma das suas principais criações que se tornou um clássico: Sítio do PicaPau Amarelo, história que foi publicada em 1921 e ganhou vida até mesmo nas telas de TV do Brasil.
No livro – uma das primeiras obras brasileiras dedicadas especialmente às crianças, Dona Benta, Pedrinho, Narizinho, Emília, Tia Anastácia, Visconde de Sabugosa, Tio Barnabé, Marquês de Rabicó, o burro Conselheiro e o rinoceronte Quindim moravam em um sítio e viviam tramas cheias de magia, com vários seres do folclore nacional.
O Sítio do PicaPau Amarelo faz parte de um conjunto de 23 narrativas escritas nos anos de 1920 até meados de 1947.
Considerado o pai da literatura infantil, Lobato morreu em 1948 mas deixou o caminho aberto para que outros escritores dedicados à escrita para crianças pudessem se aventurar nesse gênero. Por isso, veja agora cinco obras interessantes para iniciar (ou continuar) o caminho da leitura com a sua criança:
Meu pé de laranja lima
Escrita por José Mauro de Vasconcelos, escritor carioca que nasceu em 1920, essa é uma das mais importantes da literatura infantojuvenil e já foi traduzida para mais de 52 idiomas em 19 países.

A história é sobre a vida de Zezé, um menino de 6 anos, que faz parte de família muito pobre e numerosa no Rio de Janeiro. Muito criativo e arteiro, ele encontra em um pé de laranja lima, no quintal de casa, uma chance de escapar dos sofrimentos diários.
O menino vive aprontando, jamais se conformando com as limitações que o mundo lhe colocava. Viaja com sua imaginação, brinca, explora, descobre, responde aos adultos, mete-se em confusões, causa pequenos desastres.
Em cima ou embaixo dessa árvore, Zezé descansava para escrever suas histórias e, mesmo com os sofrimentos e dificuldades, não deixava de sonhar e de mergulhar no mundo da fantasia!
‘Meu pé de laranja lima’ foi adaptada para o cinema, pela primeira vez, em 1970. Depois, em 2012, ganhou uma nova versão com direção de Marcos Bernstein. A obra ainda ganhou vida na TV Tupi e TV Bandeirantes, em formato de novela.
Bisa Bia, bisa Bel
Escrita por Ana Maria Machado, escritora membro da ABL (Academia Brasileira de Letras), nascida no Rio de Janeiro, em 1941, essa obra foi publicada em 1981 e ganhou diversos prêmios literários.

Bel é uma menina que encontra uma foto de sua bisavó e passa a imaginar conversas com ela e, através das falas, criou-se forma de que leitores da atualidade pudessem conhecer o cotidiano brasileiro de décadas passadas.
Porém, Bel não interage só com sua bisavó no mundo da imaginação. Ela começou a imaginar também sua futura bisneta, com quem passa a falar, por isso o título do livro ser ‘Bisa Bia, bisa Bel’.
Com isso, o diálogo entre três tempos pode ser apreciado por leitores: o tempo da bisavó da narradora (passado), o tempo da própria narradora (presente) e o tempo de sua bisneta (futuro). O fato é que os leitores que se aventurarem nessa história conhecerão três mulheres fortes, cada uma representante de uma geração: Bisa Bia (bisavó da narradora), Bel (a narradora) e a sua neta imaginária (Beta).
Em 1982, o livro recebeu o prêmio de melhor livro juvenil da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) e, em 1983, o Prêmio Jabuti, entre outras premiações.
O reizinho mandão
Ruth Rocha, escritora ganhadora de oito prêmios Jabuti por sua obra infantojuvenil, nasceu em São Paulo, em 1931 e publicou ‘O reizinho mandão’ em 1973, durante a Ditadura Militar brasileira.

Na história, um reizinho mandão tinha o péssimo hábito de mandar todo mundo do reino calar suas bocas. Amedrontada com tamanha arrogância, as pessoas obedeciam e calavam-se. Ironicamente, esses súditos calaram-se tanto que se esqueceram de como falar!
O reizinho mal-educado sentiu-se culpado e triste, pois tédio instalou-se no reino depois que ninguém falava mais nada.
Inconformado com essa situação, foi atrás de um sábio que vivia no reino vizinho para ver se ele tinha algum conselho sobre o que fazer para que as pessoas voltassem a falar. O sábio disse o que ele teria de fazer.
Essa obra, apesar do tom divertido, pode ser lida como uma crítica ao autoritarismo que cercava o país na década de 1970. Atualmente, com o fim Ditadura Militar, podemos lê-la como uma grande crítica a qualquer forma de autoritarismo.
O menino no espelho
O escritor Fernando Sabino nasceu em Belo Horizonte, em 1923 e publicou ‘O menino no espelho’ em 1982. Em 2014, a narrativa foi adaptada para o cinema pelo diretor Guilherme Fiúza Zenha.

Em primeira pessoa, o personagem Fernando conta aos leitores as travessuras que vive em sua infância. A verdade é que o autor conta suas próprias memórias e acontecimentos imaginários através do personagem que tem o mesmo nome.
Fernando (o personagem) ensina uma galinha a conversar, aprende a voar com os pássaros, fica invisível, encontra-se com Tarzã e Mandrake, visita o Sítio do Picapau Amarelo. E, no menino que vê refletido no espelho, descobre o melhor de si mesmo, a projeção do ideal de pureza que só uma criança pode alcançar – simbolizada, de maneira luminosa, na libertação dos passarinhos.
Surge, assim, uma obra cheia de diversão, emoção e fantasia. Além disso, os leitores ainda podem conhecer o contexto brasileiro da década de 1920, quando se passa a história do protagonista.
A bolsa amarela
Lygia Bojunga, escritora nascida no Rio Grande do Sul, em 1932, publicou inúmeros livros voltados ao público infantojuvenil, que lhe renderam diversas premiações, como o Prêmio Hans Christian Andersen, em 1982.

‘A bolsa amarela’ foi um romance publicado em 1976, também durante a Ditadura Militar, mas por causa dos assuntos que aborda, se tornou uma obra atual.
Reprimida pela família – uma representação da repressão durante a Ditadura Militar, a personagem Raquel esconde suas vontades em uma bolsa amarela.
Ela tem vontade de crescer, de ser garoto e de tornar-se escritora. Na trajetória, ela descobre amigos secretos, como um galo, que a ajudam a encontrar um novo jeito de ser e estar no mundo que a cerca.
A história traz um ponto que ainda é visto atualmente na sociedade: a luta pela liberdade feminina.
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