Tá Lendo o Quê? Livro revela a trajetória da artista Lucy Citti Ferreira
A escritora define Lucy como uma "grande dama da pintura brasileira"
O “Tá Lendo o Quê?” da Morena FM abre espaço, nesta sexta-feira (5), para um mistério fascinante do modernismo brasileiro, que por muito tempo permaneceu na sombra: Lucy Citti Ferreira, da escritora sul-mato-grossense Mazé Torquato Chotil.

🎧 Ouça a reportagem em áudio:
“Estava pensando no que escrever…eu sei por quê, porque é uma grande dama da pintura brasileira, ela fez história da pintura brasileira nos anos 30 e 40, e por que foi apresentada a Lasar Segal pelo grande Mário de Andrade”.
Mazé Torquato Chotil, escritora
Nesta fala, a escritora Mazé Torquato revela o que a motivou a resgatar a história de Lucy Citti Ferreira, uma artista que ela define como uma “grande dama da pintura brasileira”. No livro, a biografia de Lucy é contada em pinceladas que flertam com a ficção, um desafio ético e artístico.
A autora também explicou que o maior desafio foi conseguir selecionar o que é mais importante na história, transformando a vasta documentação, reunindo as cartas com Lasar Segall e os rastros na europa, em uma narrativa fluida.
“O desafio sempre de escrever uma obra dessas, com muita informação, com muito trabalho da Lucie, é tirar desse material o que é mais importante nessa história. Então eu tentei escolher os pontos importantes dessa biografia, dessa grande personagem, que foi a Lucy Citti Ferreira. Eu lembro sim a história da lúcia e Lasar Segall, eu penso na história da Rodin e Claudélia… a história da arte esqueceu sim o trabalho da Lucy… essa biografia, visa isso, tirá-la do esquecimento, mostrar que ela existiu”.
Mazé Torquato Chotil, escritora
Lucy pintou com intensidade, buscou seu próprio caminho estético e viveu relações cheias de luz e tumulto. Mesmo assim, por décadas, permaneceu conhecida apenas como “musa de Lasar Segall”. Mazé abre arquivos, investiga documentos, revisita vidas para desfazer esse rótulo e revelar a artista que lucy realmente foi.
Além disso, a história de Lucy também revela algo maior: o apagamento das mulheres modernistas. E quem nos ajuda a compreender, é o professor e doutor em letras, Alan Silus.
“O quanto as mulheres no período modernista foram silenciadas, não tiveram seus espaços muitas vezes substituídas por nomes masculinos. Quando você vai, por exemplo, a Pinacoteca de São Paulo, você tem vários quadros de Lucy pendurados nas paredes daquele espaço. Mas muitas vezes você passa despercebido e a Mazé faz um trabalho carinhoso, cuidadoso, científico e também informativo em colocar essa artista de volta no quadro desse grupo de artistas modernistas.”.
Alan Silus, professor e doutor em Letras
Já a professora de literatura, Valeria Cristina, também reforça o quanto essa biografia ilumina um passado marcado pelo conservadorismo social, mesmo dentro do modernismo.
“Ela contribui para dar visibilidade a uma narrativa da arte brasileira, tanto esquecida como apagada, e revelar a trajetória de um artista, mostrando o vivido, o feminino, a bravura de uma mulher vivendo sozinha em Paris e criando, apesar de todas as adversidades. A biografia traz para o presente um perfil feminino inspirador à frente do seu tempo e apresenta essa obra pictórica a ser relembrada, a ser coberta”.
Valeria Cristina, professora de Letras
A jornada de Lucy Citti Ferreira nos lembra que a história da arte ainda tem muitas frestas a serem iluminadas, e que vozes fundamentais, como a dela, ainda aguardam ser redescobertas.
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