Tá Lendo o Quê?: “Meu Pé de Laranja Lima” e o menino que conversava com uma árvore

Lançado em 1980, o livro criado por Ziraldo tornou-se um dos maiores clássicos da literatura infantil brasileira, com mais de três milhões de exemplares vendidos e tradução para diversos idiomas.

O Tá Lendo o Quê, quadro do Primeira Página na Rádio Centro América FM, destaca nesta semana o clássico Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos. Publicado em 1968, o livro permanece como uma das obras mais marcantes da literatura infantil brasileira. Com mais de 30 milhões de exemplares vendidos em mais de 30 países, a história atravessa gerações e continua emocionando leitores com a trajetória de Zezé, um menino de cinco anos que descobre cedo demais a dureza da vida e também o poder da imaginação para suavizá-la.

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Filho de uma família pobre, Zezé vive uma infância marcada por carências, castigos e perdas. Mas é nesse mesmo cenário, aparentemente cruel, que ele constrói um universo próprio, onde objetos se transformam em aventuras e árvores viram amigas de verdade. No quintal de casa, encontra em um pequeno pé de laranja lima não apenas uma árvore, mas um refúgio afetivo, um lugar de acolhimento e escuta silenciosa.

“Você vai ser meu, ouviu? E como ninguém estava por perto, abracei o tronquinho fino e senti uma coisa boa, uma amizade começando.”

A relação entre o menino e a árvore vai além da fantasia. Ela simboliza o refúgio emocional diante de uma infância que exige maturidade precoce. Por meio dessa amizade improvável, Vasconcelos constrói uma narrativa comovente, que equilibra poesia e realismo, e toca em temas como pobreza, violência doméstica, abandono, tristeza e esperança.

“Ele não fala, mas parece que entende. A tristeza vai saindo devagar, como se fosse vento, depois fico leve.”

O sucesso da obra também está na forma como o autor trata o universo infantil, com profundidade, respeito e lirismo. A linguagem simples, mas carregada de emoção, aproxima o leitor da sensibilidade de uma criança que, mesmo diante das dores, não perde a capacidade de sonhar.

O livro foi traduzido para mais de 15 idiomas e adaptado para o cinema, televisão e teatro, mantendo sempre sua essência: mostrar que a imaginação pode ser salvação e que dentro de cada adulto ainda vive a criança que um dia conversou com uma árvore, acreditou no impossível e encontrou beleza mesmo nas ausências.

“Crescer é meio triste, sabe? Porque a gente começa a entender as coisas demais.”

Para muitos leitores, Meu Pé de Laranja Lima é uma leitura da infância que deixa marcas duradouras. Para outros, é uma redescoberta na vida adulta, quando é possível perceber com mais clareza a densidade dos temas e a delicadeza com que são tratados.

O livro é um lembrete de que todo mundo já teve um segredo guardado, um amigo especial ou um esconderijo na imaginação. E talvez uma parte da gente nunca pare de conversar com aquele pé de laranja lima, mesmo depois de adulto.

E você, tá lendo o quê com seu filho?

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