Brasil gera 81,6 milhões de toneladas de lixo e ainda descarta 40% de forma irregular
Do total produzido, 76,4 milhões de toneladas efetivamente foram recolhidas. Porém, pouco mais da metade, cerca de 41,4 milhões de toneladas, recebeu destino ambientalmente seguro em aterros sanitários.
O Brasil voltou a ampliar sua produção de lixo urbano em 2024 e chegou a 81,6 milhões de toneladas, de acordo com o novo Panorama dos Resíduos Sólidos da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). O crescimento foi discreto, mas suficiente para manter o país entre os grandes geradores de resíduos do mundo. Em média, cada morador descartou 1,24 quilo por dia.
Do total produzido, 76,4 milhões de toneladas efetivamente foram recolhidas. Porém, pouco mais da metade, cerca de 41,4 milhões de toneladas, recebeu destino ambientalmente seguro em aterros sanitários. O restante, equivalente a 40,3%, ainda segue para áreas inadequadas, como depósitos clandestinos ou pontos improvisados, prática que permanece disseminada apesar da proibição nacional.

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O presidente da Abrema, Pedro Maranhão, afirma que a permanência de quase 3 mil lixões indica o tamanho da dificuldade enfrentada pelos municípios. Para ele, locais que hoje representam risco sanitário poderiam se transformar em fontes de receita e energia se tratados como infraestrutura pública.
Reciclagem cresce, mas ainda representa fração pequena
A reciclagem de materiais secos somou 7,1 milhões de toneladas em 2024, o que corresponde a 8,7% de tudo o que foi gerado no país. Desse volume, uma parte semelhante teve origem na coleta pública e outra chegou às indústrias recicladoras por meio de catadores e canais informais.
Após o processamento, apenas metade desse material se mostrou aproveitável. O restante acabou descartado por falta de condições técnicas ou contaminação.
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Resíduos orgânicos passam a compor indicador de energia
A edição deste ano do panorama trouxe, pela primeira vez, um levantamento sobre o uso de resíduos orgânicos e rejeitos para produção de energia, biogás, biometano e compostagem, um bloco reunido sob o conceito de reciclagem bioenergética.
Segundo o diretor técnico da Abrema, Antônio Januzzi, o objetivo foi consolidar em um único indicador todas as formas de reaproveitamento que geram novos produtos ou insumos. Com essa metodologia, a conversão de orgânicos em energia ou adubo alcançou 11,7% do total de resíduos gerados, ultrapassando o índice da reciclagem convencional (8,7%).
Logística reversa avança e ganhará novo segmento
A avaliação também contemplou o desempenho dos 13 sistemas de logística reversa existentes, que envolvem desde embalagens e eletrônicos até lâmpadas, pneus e medicamentos. Os resultados mostram expansão gradual da economia circular no país.
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Jannuzi lembra que o Decreto 12.688/2025, voltado à gestão do plástico, ampliará a lista de materiais sob logística reversa, passando de 13 para 14 categorias, o que tende a movimentar mais investimentos e responsabilidades compartilhadas na cadeia do lixo.
Municípios pequenos veem obstáculos à implantação de aterros
A Confederação Nacional de Municípios (CNM), ouvida para o panorama, reforça que as cidades de menor porte continuam sendo as mais pressionadas a encontrar soluções. Segundo a entidade, muitos desses municípios não dispõem de recursos técnicos nem financeiros para erguer e manter aterros sanitários. Em regiões como o Norte, a CNM afirma que é raro encontrar áreas aptas às exigências da ABNT, seja por características do solo, seja por proximidade com lençóis freáticos ou áreas urbanas.
A confederação também destaca que a geração de energia a partir de resíduos só se mostra viável em estruturas que atendam populações superiores a 300 mil habitantes. Em municípios pequenos, esse tipo de projeto poderia, inclusive, prejudicar trabalhadores da reciclagem ao competir com materiais que hoje representam sua principal fonte de renda.
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