Chapada dos Guimarães terá 11 mil hectares com queima prescrita para prevenir incêndios
Ações devem abranger mais de 11,6 mil hectares entre o Parque Nacional, área de interface e APA Estadual; ação tem parceria inédita com o Corpo de Bombeiros.
O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães terá, em 2026, a maior área já prevista para manejo com fogo em um único ano. Ao todo, o plano de ação prevê 101 queimas prescritas, que devem abranger 11.679 hectares dentro do parque, na área de interface com a Área de Proteção Ambiental (APA) Estadual da Chapada dos Guimarães e também fora da unidade federal de conservação.
As ações fazem parte do cronograma de queimas prescritas, técnica planejada e controlada utilizada para reduzir o acúmulo de material combustível e prevenir grandes incêndios florestais durante o período mais severo de estiagem. O trabalho é realizado por brigadistas especializados e está previsto no Plano de Manejo Integrado do Fogo (MIF) da unidade de conservação.
Dentro do Parque Nacional, estão previstas 76 queimas prescritas, em uma área total de 6.291 hectares. Já na área de transição entre o PNCG e a APA Estadual da Chapada dos Guimarães, o planejamento inclui 7 queimas, somando 1.006 hectares. Essas ações contam com a atuação do Corpo de Bombeiros e estão previstas no plano estadual.

Fora do Parque Nacional, na área da APA Estadual, estão programadas outras 18 queimas prescritas, que devem alcançar 4.382 hectares. Nesses casos, a execução será feita pelo Corpo de Bombeiros, com eventual apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), caso seja necessário.
A ampliação representa um aumento em relação ao ano passado, quando, em 2025, foram manejados cerca de 2 mil hectares exclusivamente dentro do Parque Nacional. No mesmo ano, 0,5 hectares da unidade foram atingidos por incêndios florestais não controlados naquele ano.
Segundo o Parque Nacional, este ano marca a maior área prevista para manejo com fogo em um mesmo período na história da unidade, alcançando pouco mais de 20% do território da conservação federal. A intensificação ocorre diante de prognósticos climáticos que apontam 2026 como um ano bastante quente na região, com previsão de ondas de calor sucessivas a partir do segundo semestre e possibilidade de prolongamento da seca.
Durante o período de execução das queimas, moradores e visitantes poderão avistar fumaça na região. O Parque Nacional reforça, no entanto, que a população deve manter a tranquilidade, já que a fumaça será provocada por ações planejadas, realizadas sob condições técnicas e de segurança.
Atualmente, o Cerrado ainda apresenta umidade suficiente para permitir que o fogo seja utilizado com controle. A previsão é que a janela de aplicação das queimas prescritas seja estendida até meados de julho. A estratégia considera que áreas mais arborizadas ainda não estão secas o bastante para que o fogo atue de forma efetiva na redução do material vegetal acumulado.
Para a execução das ações, a estrutura operacional conta com a Brigada do PNCG, composta por oito integrantes, apoio especializado de Brasília, com mais cinco profissionais, além de um helicóptero. A partir de 15 de junho, o efetivo deve ser reforçado com a chegada de mais 27 brigadistas, que estão em fase final de contratação.
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