A infestação da espécie invasora orelha-de-onça, uma planta aquática que habita a superfície de rios e lagos, e que deu trabalho para ser completamente retirada, está começando a ter fim. Nesta quarta-feira (15), equipes da prefeitura de Dourados conseguiram limpar o lago do Parque Antenor Martins, depois de quase 20 dias de serviço.
Equipes da prefeitura realizando a limpeza do lago onde foram soltos toneladas de peixes meses antes (Foto: reprodução/Michael Drone)
O processo de retirada iniciou no dia 27 de junho, após a planta transformar o lago em um verdadeiro “gramado”, e causar riscos para frequentadores do parque.
Para retirar a vegetação, foi necessário o uso de rastelos, cordas, embarcação da Polícia Militar Ambiental e uma retroescavadeira para recolher todo o material. Atuaram na força-tarefa equipes da Secretaria Municipal de Agricultura Familiar, da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos e da Defesa Civil.
Para evitar o retorno da espécie no lago, foram colocadas telas nas tubulações e canaletas que abastecem o espaço. Agora, os trabalhos se concentram no lago do Parque Rego D’água, onde a situação se repete. A previsão é de que os trabalhos terminem em 15 dias.
A espécie invasora
A planta, com nome científico Salvínia Auriculata, pode competir agressivamente com outras espécies quando em grande quantidade, como é o caso da situação em Dourados.
“Ela pode competir por recursos, como por exemplo minerais e espaço. Isso vai proibir o crescimento de outras plantas. Quando ela bloqueia toda a superfície do lago, ela também bloqueia a passagem de luz para as partes mais profundas, e aí você deixa de ter um processo de fotossíntese acontecendo com essas plantas, diminui a quantidade de plânctons e isso vai afetar diretamente a vida de outros animais que se alimentam desses organismos pequenos”, contou Kwok Chiu Cheung, biólogo e superintendente executivo da Fundação Neotrópica do Brasil.
Quanto à proliferação em grande e rápida escala, o professor ressalta que isso ocorre quando a planta se beneficia de alguma forma da região onde está.
“Geralmente é a quantidade excessiva de matéria orgânica. Então significa que o lago está recebendo uma quantidade maior do que deveria de matéria orgânica. […] Em algumas lagoas que acabam recebendo muita matéria orgânica, ocorre a proliferação de quem se beneficia dela. A gente chama esse fenômeno de eutrofização, ou seja, vai aumentando demais a matéria orgânica, vai mudando as condições naturais do lago e as espécies que têm maior potencial de ocupar e usar esses recursos vão ser beneficiadas, que é o que está acontecendo com a salvinia auriculata”, afirmou.
Apesar de “assustadora”, a espécie não é inimiga da natureza quando há um equilíbrio. A planta também é capaz de contribuir para o processo alimentar através da decomposição. Dessa forma, a matéria orgânica no fundo do rio aumenta, se tornando alimento para animais detritívoros.
Porém, no caso de Dourados, a retirada da planta ajuda na reestruturação do lago, mantendo a vida marinha da região.
“Essa planta a gente costuma dizer que ela é uma fitorremediadora. Ela é utilizada, por exemplo, para acumular a matéria orgânica que está presente no lago. Então, quando ela é retirada, como eles estão fazendo no vídeo, acaba que você retira um excesso de matéria orgânica que estava presente no lago também. A retirada dela auxilia um pouco as condições de reestruturação do lago, porque você está retirando toda a matéria orgânica que ela acumulou ao longo desse tempo que ela está lá”, disse.
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