Conheça as 4 espécies que podem acelerar a recuperação da Floresta Amazônica e ajudar a reduzir as temperaturas no Brasil

Árvores que podem ajudar a Amazônia a ficar até 3°C mais fria

Pesquisadores brasileiros identificaram um grupo de espécies consideradas essenciais para a recuperação da Floresta Amazônica após o desmatamento. O estudo mostra que entre 15 e 25 espécies de árvores concentram mais da metade do carbono armazenado nas florestas secundárias, áreas que voltam a crescer naturalmente depois da derrubada da vegetação original.

As árvores que podem ajudar a Floresta Amazônica a ficar até 3°C mais fria. (Foto: Reprodução).
As árvores que podem ajudar a Floresta Amazônica a ficar até 3°C mais fria. (Foto: Reprodução).

A descoberta pode contribuir para projetos de:

  • Restauração florestal;
  • Recuperação de serviços climáticos;
  • Combate ao aquecimento global.

A pesquisa foi liderada por Fernando Elias, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, com apoio do Instituto Serrapilheira e colaboração de instituições brasileiras e internacionais.

Os cientistas analisaram 102 áreas de florestas secundárias distribuídas em quatro regiões da Floresta Amazônica e verificaram que apenas 3% a 6% das espécies presentes nessas áreas são responsáveis por mais de 50% do carbono acumulado durante a regeneração da floresta.

Espécies-chave para Floresta Amazônica

Entre as espécies identificadas como estratégicas na pesquisa brasileira estão:

  • Embaúba (Cecropia palmata);
  • Tatapiririca (Tapirira guianensis);
  • Ingá-Vermelho (Inga alba);
  • Araticum-Bravo (Annona exsucca).

Juntas, elas representam cerca de 27% da vegetação e do carbono armazenado nas áreas em recuperação.

Estas árvores podem ser decisivas para recuperar a Amazônia após o desmatamento. (Fotos: Luciano Ferreira e Marta César)
Estas árvores podem ser decisivas para recuperar a Amazônia após o desmatamento. (Fotos: Luciano Ferreira e Marta César)

Segundo os pesquisadores, a regeneração das florestas secundárias é importante porque ajuda a recuperar funções ambientais perdidas após o desmatamento.

Os inimigos da floresta

Na Amazônia, grande parte da derrubada da floresta ocorre para a formação de pastagens, comprometendo processos ligados à manutenção das chuvas e à regulação da temperatura.

Dados preliminares da pesquisa indicam que áreas florestadas podem registrar temperaturas entre 2°C e 3°C menores do que regiões desmatadas. Além disso, essas áreas contribuem para o chamado sequestro de carbono, removendo dióxido de carbono da atmosfera e ajudando a reduzir os efeitos das mudanças climáticas.

Área degradada da Floresta Amazônica. (Foto: Greenpeace)
Área degradada da Floresta Amazônica. (Foto: Greenpeace)

Torres vão monitorar clima e recuperação da área

Como parte da próxima etapa do trabalho, os pesquisadores instalaram as primeiras torres de monitoramento climático em florestas secundárias da Amazônia, na região de Capitão Poço, no Pará.

Os equipamentos contam com sensores capazes de medir temperatura e umidade em diferentes alturas, permitindo acompanhar em tempo real a recuperação dos serviços climáticos dessas áreas.

Nova etapa da pesquisa acompanhará, em tempo real, como florestas em recuperação influenciam a temperatura. (Foto: Ilustrativa)
Nova etapa da pesquisa acompanhará, em tempo real, como florestas em recuperação influenciam a temperatura. (Foto: Ilustrativa)

Os dados coletados também serão comparados com imagens de satélite para ampliar o monitoramento da floresta em toda a bacia amazônica.

Atualmente, as florestas secundárias ocupam cerca de 148 mil quilômetros quadrados da Amazônia. No entanto, segundo os pesquisadores, muitas dessas áreas voltam a ser desmatadas antes de completar o processo de recuperação, o que reduz seu potencial de restaurar a biodiversidade e os serviços ambientais.

Confira a pesquisa completa aqui.

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