COP 28: painel debate desafios da Amazônia para desmatamento zero
Em entrevista ao Primeira Página e o ICV, que cobrem juntos o evento, participantes da mesa falam sobre questões abordadas no evento e preocupação após resultados de pesquisas
A COP 28 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) segue nos Emirados Árabes Unidos, em Dubai, e neste domingo (10) o ICV (Instituto Centro de Vida) participa do painel sobre os desafios para a economia da Amazônia em um cenário de busca pelo desmatamento zero.

Entre os participantes da mesa estava Raquel Carvalho, analista sênior do ICV.
Em entrevista ao Primeira Página e o ICV, que cobrem juntos o evento, ela destacou como a experiência foi enriquecedora e que permitiu a percepção de como o trabalho que o instituto desenvolve em Mato Grosso se conecta com inúmeras questões de interesse nacional e global.
“Várias problemáticas de interesse tanto à nível nacional, como por exemplo, a questão da produção de alimentos, valorização do humano através da agricultura familiar; como também com uma agenda global que é a da crise climática, porque quando estamos falando de sistemas regenerativos e restauração, estamos falando também de redução de emissões e de uma contribuição importante para amenizar os efeitos da crise climática”, afirma Raquel.
Na última sexta-feira (8) a Rede Simex lançou durante a COP 28 o “Mapeamento da exploração madeireira na Amazônia”, que traz dados alarmantes à respeito do desmatamento no bioma.
Segundo os dados, mais de 100 mil hectares do bioma Amazônia foram explorados ilegalmente para extração de madeira, entre agosto de 2021 e julho de 2022. Desses, cerca de 31% de área desmatada está situada em Mato Grosso.
Ao todo, segundo o levantamento, 396 mil hectares de floresta amazônica foram explorados para a extração de madeira no período analisado pelo grupo. Desse total, 288.139 hectares (73%) foram autorizados pelos órgãos ambientais, enquanto 106.477 hectares (27%) foram explorados de forma ilegal.
De acordo com o estudo, considerando o total explorado, autorizado ou não, Mato Grosso respondeu por 65,8%, seguido pelo estado do Amazonas com 12,8%, Pará com 9,8%, Acre com 6,5%, Rondônia com 4,7% e Roraima com menos de 1%.

Aliado aos dados, André Lima, Secretário Extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), comentou o aumento de 8% na taxa de desmatamento de Mato Grosso no Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite).
Segundo o secretário, o que ocorre em Mato Grosso é diferente do que tem acontecido em outros estados da região amazônica.
“Os primeiros indícios que temos é de que aumentou porque também aumentou a capacidade de estado de autorizar desmatamento. Mato Grosso é o estado, em toda a Amazônia, que tem maior volume de autorizações de desmatamento supera cerca de 30% então existe um aumento de desmatamento autorizado”, destaca.
André cita ainda um estudo que está sendo feito para entender o desmatamento por degradação progressiva, fenômeno que também ocorre em Mato Grosso.
O secretário explica que ocorre da seguinte forma: uma determinada área é queimada e no ano seguinte o mesmo acontece, até então ela é registrada como degradação. Já no terceiro ano em que a mesma área é queimada, ela entra no Prodes, como desmatamento.
“Esse é o método de incorporação de áreas que a gente está estudando. Tem a pressão econômica na região mas a gente precisa estudar mais. Temos conversado com a Mauren Lazzaretti [Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso], pra ter também mais informações na visão de quem está no estado, do que está acontecendo. É preocupante porque nós estamos conseguindo reduzir em 50% o desmatamento na média da Amazônia, em outros estados até 60% de redução então chama atenção essa diferença”, reforça.
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